A mídia estatal do Irã pediu para que a Seleção dos Estados Unidos seja expulsa da Copa do Mundo Catar 2022.
Tudo aconteceu após a Federação de Futebol dos Estados Unidos mudar a bandeira do país do Oriente Médio em suas plataformas sociais.
A imagem, que foi exibida temporariamente, mostrava a bandeira nacional do Irã sem o emblema da República Islâmica.
Em nota à CNN, o US Soccer afirmou que queria mudar a bandeira oficial por 24 horas para mostrar “apoio às mulheres no Irã que lutam pelos direitos humanos básicos”, mas sempre planejou voltar à bandeira original.

O que está em jogo?
As duas seleções se enfrentam nesta terça-feira (29), às 16h, no Al Thumama Stadium, pela última rodada do Grupo B da Copa do Mundo Catar 2022.
O Irã está em segundo lugar, com três pontos, enquanto os EUA ocupam a terceira, com 2 ganhos. Ou seja, quem perder estará eliminado.
Essa será a segunda vez na história em que as duas seleções irão se enfrentar em um torneio mundial. Na fase de grupos da Copa de 1998, na França, os iranianos levaram a melhor por 2 a 1.
Essa vitória não resultou em nada, já que ambas entraram em campo sem chances de classificação. Mas segundo um relatório da BCA Research, “o jogo foi anunciado como o mais politicamente carregado da história do futebol”.

Coletiva tensa coloca fogo no duelo entre EUA x Irã
A coletiva com jogadores e comissão técnica dos Estados Unidos, nesta segunda-feira (28), foi marcada por momentos de tensões, com poucas perguntas sobre futebol e muitas sobre conflitos entre os países.
Os jornalistas, especialmente os iranianos, adotaram uma postura mais agressiva nos questionamentos.
Para evitar polêmicas, os representantes dos Estados Unidos minimizaram os problemas fora de campo e enfatizaram a importância do duelo na busca pela classificação para as oitavas de final.
Sobre a postagem com a bandeira iraniana alterada, o treinador dos EUA, Gregg Berhalter, pediu desculpas e afirmou que os jogadores e integrantes da comissão técnica não possuem participação nas publicações.
“Não temos ideia do que é feito, do que é publicado. Não quero parecer que não me importo, mas esses jogadores trabalharam muito para chegar aqui, e estamos concentrados no nosso trabalho. Tudo que podemos é pedir desculpas, em nome dos jogadores e do nosso staff”, disse o técnico.
Em outro momento tenso, Gregg Berhalter foi ‘curto e grosso’ quando um jornalista iraniano o questionou sobre a entrada de iranianos nos EUA e as invasões norte-americanas no país.
“Não sei sobre política internacional, sou treinador. Não posso responder sobre isso”.
Outro momento de tensão na coletiva aconteceu com o capitão Tyler Adams, que foi “cobrado” por ter pronunciado a palavra Irã de forma errada. Ele também foi questionado sobre qual era o sentimento de defender um país que, embora faça críticas ao Irã, tem muitos problemas com o racismo.
“Me desculpe pela pronúncia errada. Existe discriminação em qualquer lugar, o que posso atestar ao viver fora do meu país. Nos Estados Unidos estamos fazendo progresso a cada dia. É um processo, acho que o mais importante é isso, ver progresso”, disse o capitão.