A abertura da Copa do Mundo no Qatar foi transmitida para o mundo todo neste domingo (20), dando início aos jogos mais importantes do futebol mundial. Com discurso de inclusão e respeito às minorias, o país recebeu Morgan Freeman, Jungkook, do grupo sul-coreano BTS, influencer qatari portador de deficiências físicas, cantor local defensor de pautas de direitos humanos e até camelos, mas nenhuma mulher com protagonismo na abertura.

Internautas levantaram a questão da falta de mulheres representando o país, principalmente por ser a primeira Copa do Mundo com mulheres na arbitragem nos jogos, como a brasileira Neuza Back.
Algumas figuras femininas foram vistas nas arquibancadas, torcendo pelo país no jogo de estreia contra o Equador. Algumas até integravam a torcida organizada qatari, que levantavam cartazes e bradavam hinos.
Na arquibancada do estádio Al Bayt, era muito fácil diferenciar homens e mulheres: mulheres de roupas escuras, homens de roupas brancas, sempre de vestes tradicionais. Vez ou outra se via uma qatari sem os cabelos cobertos.
É importante reforçar que: no Qatar, mulheres só puderam frequentar estádios a partir de 1998.
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Mas na abertura, a presença masculina prevaleceu. Apesar do discurso “de braços abertos a todos” do Emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, muitos não se convenceram e até chamaram o esforço de “hipócrita”.
Mulheres no Qatar
Já é de conhecimento geral que no Qatar, mulheres tem uma vida limitada e com algumas restrições, dependendo muitas vezes de autorização dos maridos ou dos pais para trabalhar, tirar carta de motorista ou até mesmo viajar sozinha. Elas vivem sob um sistema de tutela masculina.
Apesar no Qatar ser uma das nações muçulmanas mais flexíveis, as regras para mulheres pode assustar alguns visitantes desinformados.
O país impõe rígidas regras de dress code, tanto para homens como para mulheres: homens não podem mostrar em público do pescoço aos joelhos e mulheres do pescoço até a canela ou calcanhares. Além disso, decotes, roupas apertadas ou rasgadas devem ser evitadas.
Ainda esse ano, uma mulher mexicana foi condenada a receber cem chicotadas por denunciar um estupro. No Qatar, as vítimas de violência sexual são processadas por adultério.
O país segue a sharia, a legislação baseada no Islã, com custumes mais firmes, que não aceita a liberdade integral da mulher e trata homossexualidade como crime e “transtorno mental”. Além disso, o Qatar também já foi acusado de abusar de direitos trabalhistas contra pessoas imigrantes que trabalharam na construção dos estádios que sediarão a Copa.
Esses foram alguns dos motivos pelos quais as cantoras Shakira e Dua Lipa supostamente recusaram o convite para cantar na abertura do evento. Além delas, Rod Stewart também diz ter recusado o convite.
Jungkook no Qatar

Em contrapartida, a presença do cantor Jungkook, do grupo sul-coreano BTS deixou fãs -e mesmo não fãs- muito satisfeitos com a música “Dreamers”, acompanhado de Fahad Al-Kubaisi, cantor qatari conhecido por defender os direitos humanos.
Jungkook é o primeio artista do k-pop a se apresentar em um evento de abertura da Copa do Mundo. O cantor se apresentou sozinho, longe dos outros 6 integrantes do grupo, que pausaram as atividades conjuntas para que o membro mais velho, Jin, possa cumprir o serviço militar na Coreia do Sul.
Fahad Al-Kubaisi pode não ser um rosto conhecido para alguns, mas no Qatar, ele é um dos principais cantores da atualidade. O artista é conhecido pelo gênero musical Khaliji.