Na última semana, o assunto mais falado era sobre a aparição de uma lontra no Aquarius em SJC, bairro na zona oeste da cidade, conhecido por ser um grande centro comercial. O animal foi flagrado pelas câmeras do CSI (Centro de Segurança e Inteligência) se alimentando de peixes no lago do Torii, na famosa praça do bairro.

Denúncias foram deitas pelo 156, atestando que peixes mortos estavam aparecendo na praça. Assim, foi levantada a hipótese de vandalismo. Após as imagens das câmeras, o caso foi resolvido e acharam a verdadeira responsável.
O Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental e Guarda Civil Municipal realizaram uma operação para capturar o animal e soltá-lo em um ambiente mais semelhante ao seu habitat natural.
Porém, muitas dúvidas ficaram no ar e joseenses se perguntaram de onde o veio o animal, já que seu ecossistema predominante está muito longe de ser o Jardim Aquarius. Para responder essas perguntas, conversamos com Julio Ottoboni, jornalista de meio ambiente e ciência e Davi Nunes Veloso, biólogo da Univap, que nos explicou as possiblidades da origem do animal.
Lontra ou ariranha?
Primeiramente, de acordo com Ottoboni, havia uma possibilidade da lontra no Aquarius ser, na verdade, a ariranha no Aquarius.
A ariranha é carnívora e conhecida por ser uma espécie agressiva e territorialista. Ela é característica do Pantanal e da bacia do Rio Amazonas, na América do Sul. A diferença mais notável entre uma lontra e uma ariranha é o tamanho. Uma ariranha pode chegar a ter 1,80 metros de comprimento e pesar cerca de 35 kg. Já lontras chegam a até 1,20 metros de comprimento, incluindo a cauda, e pesar em torno de 25 kg.
Tentamos contato com a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros e, infelizmente, não souberam nos informar a espécie do animal.
Porém, de acordo com Davi Nunes Veloso, biólogo da Univap, o animal uma lontra, espécie Lontra longicaudis. Pela lontra ter a Mata Atlântica como um de seus habitats naturais, ela pode ter sim aparecido por aqui. Já a ariranha dificilmente poderia estar nesse ambiente.
“Em 2017 teve um caso de uma outra lontra que saiu do Vidoca e entrou em um condomínio no Jardim Aquárius também. A câmera de segurança a capturou caçando as 5h da manhã, então provavelmente ela saiu do córrego e atravessou as ruas de madrugada. Isso não é natural da espécie, normalmente elas saem pra caçar durante a tarde e crepúsculo, mas com a presença humana elas tendem a alterar esse período de atividade.”, disse o biólogo.
Afinal, de onde veio a lontra do Aquarius?
A lontra surpreende Ottoboni, já que de acordo com ele, está muito longe de seu habitat natural. O jornalista diz que é uma raridade ela ter vindo do Banhado, do Vidoca ou mesmo do Rio Paraíba, por conta da distância entre esses locais e o Jardim Aquarius.
“Podemos estar vendo uma espécie que escapou do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) da Univap. Um lugar que é um remanescente de mata atlântica e que não é muito grande. Tem essa possibilidade também. “, explicou o jornalista.
A Univap se manifestou em resposta a hipótese do animal ter fugido de sua área preservada, que fica localizada no campus da universidade.
“O animal não veio daqui e nem o recebemos depois de capturado também. A probabilidade é de que veio do Rio Paraíba ou do próprio Vidoca”, informaram.
De acordo com o próprio biólogo da instituição, é bem provável que o animal tenha vindo do córrego do Vidoca.
Soltura da lontra

O animal foi solto no último domingo (14), nas margens do Rio Paraíba. Porém, de acordo com Julio Ottoboni, talvez a escolha do lugar não tenha sido muito boa.
“Agora a grande preocupação é a saúde desse animal. A soltura dela no Rio Paraíba, por exemplo, com águas extremamente turvas e poluídas não é o lugar ideal. Provavelmente, ela deveria ser solta em algum rio mais serrano e mais dentro da mata atlântica, como próximo a São Francisco Xavier, um lugar que tenha menos população. Porque quanto mais gente tiver, pior para o animal. Já que o principal predador dela, nesta região, é o homem.”, disse Ottoboni.
Mas, para Davi Nunes Veloso, o local até que foi uma boa opção para a soltura da lontra, já que é um habitat que ela ocorre.
A ariranha é uma das espécies em extinção no Brasil, classificada em perigo na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).