Com 10 anos de história, o Instituto Luzes da Ribalta nasceu no bairro Interlagos, em São José dos Campos, dentro da família do Deusdete Guimarães, fundador da escola. A caminhada começou em casa, com Deusdete ensinando teoria da música para os filhos, e logo depois, para as crianças do bairro.
Em pouco tempo, dezenas de jovens ocupavam a residência com violinos, violas eruditas e violoncelos. E assim nasceu, oficialmente, o Luzes da Ribalta, em 2012, levando sua notável Orquestra Jovem pela cidade afim de quebrar as barreiras que parte da população joseense tem em relação ao acesso a linguagem artística da música erudita.
Em uma entrevista especial à SP RIO+, Deusdete Guimarães e seu filho, o maestro William Vanderlan, contam como o Instituto transformou a vida de mais de 500 alunos que passaram pela escola. De acordo com o fundador, a música tem o poder da transformação, seja ela intelectual ou social.
“Se todas as crianças tivessem a oportunidade de se tornarem músicos, jamais iriam querer pegar em uma arma. A música traz o propósito do bem para elas.”, disse Deusdete.
Vale lembrar que toda a formação oferecida pela escola é gratuita, começando da base e preparando alunos para grandes escolas de música no Brasil e no mundo.
Repertório escolhido à dedo
Do erudito ao MPB e às músicas temas de filmes e séries famosas, a orquestra passeia por todos os gostos musicais, atraindo todos os públicos e, principalmente, seu público alvo: crianças e jovens procurando uma porta de entrada para o universo da música. E eles, os alunos, participam ativamente na escolha das trilhas para as apresentações.
“Em nossas apresentações, nós sempre pensamos em tocar um pouquinho de tudo. A nossa ideia é trazer o público para conhecer nossa música. Se chegamos lá e tocamos só erudito, pouca gente vai conhecer. Nós sempre fazemos um debate quando escolhemos as músicas. Na verdade, são eles [os alunos] que vão tocar, então tem que ser algo que eles se identifiquem, mas sempre pensando na evolução deles. Tem que ser uma música que o evolua o aluno no instrumento e seja um desafio.”, disse William.
Uma das novidades deste ano é a estreia do Coral Luzes da Ribalta, que passará a acompanhar as apresentações do Instituto.
Durante a pandemia
O instituto não ficou de fora das mudanças que o mundo precisou se adequar durante a pandemia. Em 2020, a fim de garantir a perpetuação de suas atividades culturais e continuar sendo suporte e apoio para os alunos, muitas vezes em situações de instabilidade socioeconômica, o Luzes da Ribalta passou para o digital: investiu em aulas online e diversas lives, além projetos direcionados a manutenção das práticas artísticas, como o “Desafio Luzes”, onde professores e parceiros do Instituto produziram vídeos com exercícios para os alunos continuarem estudando em suas casas.
“A gente fez uma live, da 1ª Semana Luzes da Ribalta, e o vídeo da abertura tem mais de 500 visualizações. Se formos pensar em teatro, em São José dos Campos o maior é o Teatro Municipal, com 480 lugares, então tecnicamente lotamos um teatro, comparando com o alcance do vídeo. E olha que é muito difícil lotar o Teatro Municipal.”, brinca o maestro.
Os 10 anos
Durante todo o ano de 2022, a agenda do Luzes da Ribalta está lotada. As comemorações vão além dos Teatros. O Instituto gosta mesmo é de levar a música para todos os lugares, como praças e escolas.
“Nós fazemos essas apresentações não só no teatro. Costumo falar que o teatro é a cereja do bolo. Porque sabemos que o grande público que não tem acesso são as crianças que estão na escola, são aquelas pessoas que estão passando na praça e as vezes nem sabem que existe um teatro na cidade. A música tem que alcançar essas pessoas, e não ficar só no teatro como uma divindade, uma coisa inacessível.”
