Aline Korting é psicóloga especializada no atendimento a adolescentes e jovens na Clínica Arboretá. Foto: Ludmila Oliveira
Depressão e ansiedade e outros temas ligados ao bem-estar emocional de adolescentes no ambiente escolar foram o centro de uma roda de conversa em São José dos Campos no último sábado, 2.
A psicóloga Aline Korting, da Clínica Arboretá, orientou professores e coordenadores pedagógicos do Colégio Univap sobre como identificar os sinais e lidar com essas manifestação.
O intuito da parceria foi esclarecer dúvidas, compartilhar informações e indicar novos caminhos para o suporte atento e humanizado a alunos.
Em um contexto de volta às aulas presenciais e de reestruturação das relações sociais dos estudantes, após períodos de isolamento e aulas remotas na pandemia, profissionais da educação buscam vivências e estratégias pedagógicas que se adequem melhor a esta nova realidade de convívio.
Pesquisa realizada em setembro de 2021 pelo Instituto Península –organização do terceiro setor que atua na área de Educação— aponta que 57% dos professores entrevistados entendem como um desafio recuperar a aprendizagem de alunos no retorno do ensino a distância, ao mesmo tempo em que 53% dentre os consultados sentem que os jovens estão desmotivados e 58% sinalizam a importância do acolhimento dos estudantes em conjunto com a família.
A psicologia, nessa conjuntura, coloca-se como uma forte aliada a esta reconstrução.
“O distanciamento imposto pela pandemia exige, de fato, um novo olhar sobre os adolescentes que retornam à sala de aula, agora mais frágeis às situações do dia a dia. Neste momento, o que percebo em contato com diversas escolas e com pais de alunos, em São José dos Campos, é mesmo uma preocupação em torno da saúde mental desses jovens, pois são aspectos que impactam não só no trato pessoal, mas também na saúde física e no próprio desempenho escolar”, afirma Aline.
O encontro no Colégio Univap reuniu cerca de 20 profissionais ligados ao Ensino Fundamental Anos Finais da instituição (do sexto ao oitavo ano, portanto).
A iniciativa da escola em promover debates entre profissionais da educação e da psicologia visou aprimorar a capacitação de seu corpo docente para situações sensíveis da rotina entre alunos e professores, como explica a psicóloga.
“O acompanhamento dos pais em consultório e em casa é fundamental para a saúde mental do adolescente, mas é fundamental que a escola também esteja atenta ao comportamento de seus alunos para contribuir com ações que promovam o bem-estar deles em momentos de crise ou alterações de humor, por exemplo. Esse debate que estamos promovendo é muito importante para o estabelecimento de um cuidado integrado com esse grupo”, finaliza Aline.
