
“Uma experiência totalmente nova, estou vivendo um novo mistério”, é assim que o monsenhor Rogério Augusto das Neves, da Diocese de São José dos Campos, descreve a sua nomeação como novo bispo auxiliar de São Paulo, divulgada pela Santa Sé na última quinta-feira (3).
Em entrevista à SP RIO+, o padre falou sobre sua expectativa para a nova missão e comentou sobre a guerra na Ucrânia.
Confira a entrevista na íntegra no nosso YouTube (link abaixo).
Desde 2015 como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Soledade, ele disse que sentirá saudade de sua comunidade, já que com a nomeação ele deverá atuar na capital, São Paulo.
“Por incrível que pareça, quando eu fui informado disso, diferentemente do que eu podia pensar, o maior sentimento não foi nem de medo, nem de insegurança. Foi de perda. O que me bateu foi isso. Eu gosto tanto do que eu tenho, do que eu faço, das pessoas com quem eu convido, da minha cidade”.
Apesar do sentimento, Padre Rogerio disse que está confiante sobre a nova missão.
“Eu tenho muita fé, eu sei que se Deus nos chama ele dá os meios. Como dizia Santo Agostinho: ‘Dá-me o que me pedes e pedes o que quiseres’”, citou.
Para ele, jamais passou pela sua cabeça a hipótese de não aceitar o convite.
“A gente é informado de que foi nomeado e a consulta é se a gente aceita a nomeação. Dizer que não aceita significa dizer não ao Papa, quem nomeou. É uma coisa que, para quem quis entregar a vida e consagrar, é uma coisa muito detestável. Dizer não a autoridade suprema da Igreja, que carrega tantas dificuldades nos seus ombros? Então a gente divide um pouquinho o peso com ele”.
Guerra na Ucrânia
Monsenhor Rogério Augusto também lamentou a invasão da Rússia à Ucrânia e fez uma reflexão sobre o que podemos aprender com a guerra.
“Primeira reflexão que eu daria como sugestão: Que valor nós damos para a paz? Parece que a gente não tem consciência do valor da paz. Porque embora possa haver razão de um lado e de outro, a gente percebe que a paz é um bem absoluto. Então a gente deveria preferir a qualquer outra coisa, porque o prejuízo da guerra é inestimável. A guerra a gente sabe como começa, mas não sabe como termina”, refletiu.
Campanha da Fraternidade
O padre também comentou sobre a Campanha da Fraternidade de 2022, cujo lema é “Fala com sabedoria, ensina com amor”.
“Não é somente a questão da organização do sistema de educação do país. Claro que a gente pode tocar nisso, mas a educação vai para além disso, é muito mais profundo. O ser humano é formado em todos os ambientes onde ele está”.
Como aplicação prática da campanha da Fraternidade no dia a dia, Rogério citou um exemplo.
“Se a gente pensasse que quando eu, por exemplo, estou dirigindo, e quando eu não procedo bem ao dirigir, e quando eu, por exemplo, sou mal educado no trânsito e tem pessoas assistindo isso, eu estou, de certa maneira, influenciando negativamente as pessoas. Se a gente tivesse essa consciência a gente diria que a educação não é papel da escola, é papel de todos”, refletiu.
Sobre o monsenhor Rogério Augusto
Pe. Rogério Augusto das Neves nasceu em São José dos Campos. Depois dos estudos primários e secundários, obteve o título de bacharel em Direito pelas Faculdades Integradas de São José dos Campos. Cumpriu os estudos de Filosofia no Instituto de Filosofia Santa Teresinha, em São José dos Campos, e o de Teologia no Instituto Teológico Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté
Obteve depois da ordenação o título de mestre em Direito Canônico no Instituto de Direito Canônico “Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro”, em São Paulo, e de doutor na Universidade Lateranense, de Roma.
Em 3 de julho de 1999, foi ordenado sacerdote e incardinado na diocese de São José dos Campos. Foi vigário paroquial na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na paróquia São José e na paróquia Coração de Jesus; foi pároco na Paróquia São Benedito e na Paróquia São João Bosco; reitor do Seminário de Filosofia, no Instituto de Filosofia Santa Teresinha, em São José dos Campos; e posteriormente na Residência Pe. Rodolfo Komórek, em Taubaté. Também já foi professor de em diversas instituições da região e do estado.
Desde 2015 é pároco da Paróquia Nossa Senhora da Soledade, em São José dos Campos.
Sua Ordenação Episcopal será realizada no dia 1º de maio, às 15h30, na Paróquia Nossa Senhora da Soledade, no bairro Vista Verde, em São José dos Campos.