
Na tarde desta quarta-feira (9), a diretoria do Esporte Clube Taubaté, decidiu interditar, por tempo indeterminado, uma parte da arquibancada do estádio Joaquinzão desmoronar por conta das fortes chuvas que caíram na cidade entre domingo (6) e segunda-feira (7).
A medida acontece para que não haja riscos aos torcedores que vão comparecer ao estádio nas próximas partidas.
Em entrevista ao repórter Pedro Bavuso da SP RIO+, o jornalista e escritor Fabrício Junqueira disse que a situação atual do estádio taubateano é complicada.
“Justamente por ser um estádio particular o Esporte Clube Taubaté não tem condições de manter a infraestrutura e cuidar do estádio como deve ser cuidado”.

Essa não foi a primeira vez que o Joaquinzão teve sua estrutura corrompida. Em 2018, um trecho da arquibancada do setor geral do estádio foi interditado por conta de infiltrações no local, algo muito semelhante ao que aconteceu nessa semana.
Devido a essa adversidade, o Burro da Central disputou a reta final da Série A-2 e a Copa Paulista daquele ano com apenas um setor do estádio disponível para os torcedores. Essa interdição se manteve durante toda a temporada de 2019 e foi encerrada em 2020.
“A atual situação é preocupante. É preciso muito investimento para a manutenção do estádio”, disse Fabrício.
Mesmo com esses problemas estruturais, o estádio do Joaquinzão não registrou nenhum incidente nos últimos anos. Além disso, o local tem aval do Corpo de Bombeiros e da Federação Paulista de Futebol para receber jogos de futebol com público.
O que o Joaquinzão significa para o Esporte Clube Taubaté
A história começa em 1955, quando o então prefeito de Taubaté, Felix Guisard Filho, promulgou a lei municipal nº 115, doando ao clube da cidade uma área de 38.300 m², localizada no antigo Parque das Nações para a construção do estádio.
Dez anos depois, em 14 de janeiro de 1968, o estádio foi inaugurado, recebendo o nome do então presidente do clube e grande incentivador, Joaquim de Morais Filho.
O jogo de estreia foi contra o São Paulo Futebol Clube. O recorde de público do estádio aconteceu no jogo contra o Corinthians, em 11 de junho de 1980. O público pagante total foi de 21.272 torcedores, mas atualmente, o estádio tem capacidade para receber apenas 9.600 torcedores.

Palco de grandes conquistas do Burro da Central, o Joaquinzão tem um grande valor sentimental, não apenas para torcedores ou fãs de futebol, e sim para a população de Taubaté.
“O valor sentimental do Joaquizão para o Esporte Clube Taubaté é enorme, um valor inestimável e não tem como precisar o valor sentimental que existe. Foi construído com a força do socio, do torcedor e do povo de Taubaté”, disse Fabrício sobre a importância do estádio para o Burro da Central.
Novo futuro
O futebol brasileiro, quando se fala em estrutura, mudou muito de uns tempos pra cá. A realização da Copa do Mundo, em 2014, trouxe a norma “Padrão FIFA” para os estádios brasileiros.
Com isso, vários estádios foram construídos do zero, como por exemplo: Arena Corinthians, Arena Pantanal e Arena Amazonia e Arena Pernambuco. Mas, alguns estádios tradicionais, como Mineirão, Maracanã, Beira Rio, Fonte Nova e Parque Antártica (Allianz Parque) foram remodelados e se tornaram grandes arenas, não só para o futebol, mas para a cultura.
E devido a essa mudança radical do futebol brasileiro, a discussão entra em pauta nas conversas do dia a dia entre os torcedores. E para o jornalista Fabricio Junqueira, isso é um caminho que deve ser seguido pelo Esporte Clube Taubaté.
“Da mesma forma que o Taubaté saiu do Campo do Bosque, onde jogou de 1914 até o final dos 60, pode sair do Joaquinzão e jogar em outro lugar, desde que o clube vá de uma forma segura, onde faça uma parceria com uma grande construtora”, disse Fabricio.

Junqueira ainda ressaltou que o clube possui um “patrimônio invejável”, isso porque o Joaquinzão e a sede social do clube estão localizados em uma das áreas mais nobres de Taubaté.
“Caso venha uma proposta de reformulação de todos os patrimônios do clube, o Taubaté tem que fazer o negócio na hora. O Joaquinzão vira história, nós vamos levar o estádio pra sempre em nosso coração, mas a vida segue pra frente”, ressaltou Fabrício.
Outro lado
A redação da SP RIO+ entrou em contato com a assessoria do clube taubateano sobre o assunto e recebeu o seguinte posicionamento, que segue na íntegra:
“O Esporte Clube Taubaté vem, ao longo dos últimos anos, apostando em um trabalho sério e dedicado para manutenção e infraestrutura do estádio Joaquim de Morais Filho.
Mesmo com sabidas dificuldades financeiras para se fazer futebol no interior, e ainda mais com um estádio particular, patrimônio que poucos clubes desse nível de divisão e até de Série A1 possuem, o Taubaté se esforçou para melhorias estruturais no Joaquinzão. Somente nos últimos dois anos, o clube reergueu o trecho interditado da arquibancada geral, construiu um vestiário de arbitragem com padrões para a elite do futebol estadual, reformou todo o complexo de vestiários mandante e visitante, fez a pintura de toda a arquibancada, reforma no refeitório e cozinha, e, atualmente, segue trabalhando em diversas frentes de melhorias, como início da troca de todas as luzes do estádio por lâmpadas de LED, reforma do alojamento dos atletas, melhorias na academia e no departamento médico, estruturação da sala de imprensa e, também, necessidades para o uso do VAR (árbitro de vídeo) no estádio.
O caso pontual acontecido nesta última semana, das infiltrações em novo trecho da arquibancada geral, causadas pelas fortes chuvas, será tratado como prioridade dentro do clube. Logo no dia seguinte ao ocorrido, uma perícia realizada por Polícia Militar, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e uma equipe de engenharia contratada pelo próprio Taubaté avaliou que os demais locais do estádio estão normalmente aptos a receberem público normalmente.
Dessa forma, o Esporte Clube Taubaté reconhece as dificuldades para se manter um estádio particular, em área nobre na cidade e que por muitos anos sofreu com degradação e descaso, mas reafirma que trabalha arduamente para todas as melhorias necessárias.”