
Por falta de verba, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desmobilizou a equipe de pesquisadores focados nos dados de desmatamento no cerrado. O projeto vai ser descontinuado a partir do mês de abril e o Brasil vai ficar sem referência sobre os dados do bioma.
Essencial para a tomada de ações na preservação do cerrado, o monitoramento teve as verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia encerradas em 31 de dezembro, de acordo com o Inpe.
O projeto era mantido com financiamento do Forest Investment Program (FIP), administrado pelo Banco Mundial, desde 2016.
Para manter o projeto em atividade são necessários R$ 2,5 milhões ao ano.
Em balanço mais recente divulgado pelo Inpe em dezembro, o desmatamento no Cerrado aumentou 7,9% entre agosto de 2020 e julho de 2021, alcançando a marca de 8.531 km². A área desmatada corresponde a cinco vezes a cidade de São Paulo.
Há uma proposta para que o projeto seja financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), mas ainda não há retorno de aprovação.

O Cerrado é a savana mais rica em biodiversidade no mundo. Ocupa cerca de um quarto do território do Brasil e se estende por 12 estados, fazendo o papel de elo entre os demais biomas do país.
Considerado o berço das águas, o Cerrado abriga três grandes aquíferos e as nascentes de importantes rios que fluem por todo o país. Até mesmo as bacias do Amazonas e da Prata, que banha países vizinhos, recebe as águas que brotam no Cerrado.