Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O ano de 2o22 começou com um grande respiro para uma instituição que foi tão atacada nos últimos anos.
Depois de muita pressão por parte da classe artística, o governo federal reconheceu a SAC (Sociedade Amigos da Cinemateca) como Organização Social apta a gerir a Cinemateca Brasileira pelos próximos cinco anos.
O ato pôs fim ao abandono e total desrespeito por parte da gestão de Mario Frias, secretário Especial de Cultura, a instituição cuja sede encontra-se no bairro da Vila Mariana, em São Paulo.
A Cinemateca Brasileira é um verdadeiro reduto de obras audiovisuais que contam a história desse país e retratam as mais diferentes épocas pelas quais o Brasil vivenciou. A pluralidade e riqueza de seu acervo chamam a atenção, ao mesmo tempo, que parecem incomodar certas autoridades.

Criada em 1940, inicialmente como um Clube de Cinema de São Paulo pelo historiador Paulo Emílio, a Cinemateca passou a ser um órgão independente voltado à conservação de filmes no início dos anos 1960. De lá para cá, a instituição abriga e conserva cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de 1 milhão de documentos, como roteiros, cartazes e livros, referentes às mais diversas obras.
Com o maior acervo audiovisual da América do Sul, a Cinemateca Brasileira já sofreu com alagamentos e incêndios em sua sede e galpões ao longo de sua história; mas sempre conseguiu resistir.
Em novembro do ano passado, a Cinemateca retomou parcialmente suas atividades com a recontratação temporária de profissionais da área técnica, que trabalham na apuração de danos causados pelo longo período de fechamento e pelo recente incêndio que destruiu as instalações do galpão na Vila Leopoldina, na capital paulista.

Desde janeiro desse ano, a Cinemateca renasce mais uma vez literalmente das cinzas. Passará por uma lenta reconstrução institucional cuidada por quem já cuidou dela há alguns anos, o que alivia em vislumbrar que ela volta a ter um futuro.
Segundo a Organização Social, a reabertura para o público está prevista para os próximos meses e assim a história do nosso cinema vai sendo preservada para as futuras gerações, mesmo que ainda possa sofrer com novos percalços pela frente.
Quando paramos de olhar para o nosso passado, começamos a não mais distinguir o que é importante para o nosso futuro. E o pior, esquecer ou fingir que esse passado não existiu nos faz estar propícios a novamente cometer os mesmos erros de outrora. Aí que está a importância da preservação de nossa história e o quanto isso pode soar ameaçador para quem busca extingui-la.
Cultura e educação caminham juntas para o desenvolvimento de qualquer nação. São sinônimos de ofensas para alguns e libertação para outros, talvez seja por isso que o Brasil sempre acabe caminhando com passos de formiga e sem vontade, como vai cantar Lulu Santos em “Assim caminha a humanidade”.
Lançamentos da semana nos cinemas

Na primeira semana do ano, há dois lançamentos que chegam nesta quinta-feira (6) nos cinemas que podem agradar a criançada que está de férias e os já mais crescidinhos.
A prequela “King’s Man – A Origem” é o grande lançamento dos cinemas na primeira semana do ano de 2022. O filme, dirigido por Matthew Vaughn, traz o ator Ralph Fiennes no elenco.

Outra produção que deve agradar nessa época de férias é “Sing 2”, sequência da animação “Sing: Quem Canta seus Males Espanta”, de 2016, que fez sucesso nas bilheterias.
O novo filme roteirizado e dirigido pelo premiado Woody Allen, “O Festival do Amor”, também estreia nesta quinta-feira (6/1) nas salas dos cinemas.
Confira a coluna “Cine Mais”, transmitida dentro do Jornal Abre Aspas desta quinta-feira: