
“Ao meu ver, trata-se de um crime ambiental”, foi assim que definiu o professor Valter José Cobo, doutor em ciências Biológicas da Universidade de Taubaté (Unitau), sobre recompensa por captura de tubarões feita por um iate clube localizado em Ubatuba, litoral norte.
Assista ao trecho da entrevista:
Em uma postagem pelo twitter, o jornalista ambiental André Trigueiro, da Globo News, denunciou a empresa Tamoios Iate Clube de Ubatuba por oferecer uma recompensa para incentivar a caça de tubarões na cidade de Ubatuba, local onde registrou dois acidentes envolvendo o animal nas últimas semanas.
Na imagem postada pelo jornalista, o iate clube oferece R$ 20 por centímetro de comprimento do animal.
Alguém, por favor, contenha a insanidade da diretoria do Tamoios Iate Clube de Ubatuba.Estão oferecendo recompensa pra quem capturar ou eliminar”o organismo causador desses ataques a banhistas”. Promoção de carnificina inspirada em Spielberg? Cadê as autoridades ambientais de SP? pic.twitter.com/xdc5P8Lc6K
— André Trigueiro (@andretrig) November 25, 2021
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“Isso reflete muito no nível de educação que nós temos.”, reflete o professor Valter. “…não me resta outra avaliação que não seja uma oportunidade de se promover por parte desse clube. Eu não consigo ver isso de outra maneira”, disse.
Ambientalistas de mais de 25 entidades denunciam essa iniciativa e ressaltaram que a pesca de tubarões de outras 410 espécies marinhas é crime ambiental.
“Espero que o poder público esteja atento e vigilante e que tome as medidas cabíveis para impedir isso e, de acordo com a lei, penalizar esse tipo de promoção.”
O Doutor em ciências Biológicas ressalta que os ataques de tubarão a turistas são raros e isolados, não sendo comuns na região. “O tubarão não é um inimigo, nós é que estamos invadindo o espaço dele”, disse o prof. Valter.
Assista a entrevista completa:
A caça de tubarões é proibida por meio de portaria do Ministério do Meio Ambiente e considerada crime ambiental, com previsão de multa e prisão.
Em resposta ao Portal G1, o responsável pelo Iate Clube, José Jacyntho de Magalhães, afirmou que foi mal interpretado e que a mensagem não passava de uma ironia.
“Houve má interpretação do que se pretendia. Era uma brincadeira, ironia. Obviamente não vamos levar isso à frente”, afirmou.