
A pandemia da Covid-19 forçou mudanças em vários aspectos da sociedade, não diferentemente, o setor de habitação também passa por readequações. Segundo José Renato Fedato, diretor da Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), as mudanças de comportamento geraram crescimento na venda de imóveis na região.
“Nós temos um aumento monitorado pela Aconvap perto de 32% no aumento da venda de imóveis, no primeiro trimestre de 2021, relacionado a 2020. Esse é um aumento significativo”, disse o diretor.
Em entrevista ao Jornal Abre Aspas desta quarta-feira (10) Fedato comenta que atualmente os cidadãos pararam de enxergar suas casas apenas como dormitórios e sim como lares.
“Todos começaram a rever aquela história que você passava muito tempo trabalhando e pouco tempo em sua casa e que tinham seu apartamento, ou sua casa, muito mais como um dormitório, do que como um lar realmente. Essa mudança de hábitos trouxe a residência para dentro do desejo de consumo das pessoas”, disse.
Apesar do aumento da procura, a Aconvap alega que o setor da Construção Civil está “lutando” contra o crescimento ‘exagerado dos materiais e produtos para as obras. Enquanto a inflação oficial dos últimos 12 meses está em 8,99%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os materiais de construção registraram alta de 32,9% no mesmo período, segundo o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) apurado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Fedato concluiu ressaltando que a Construção Civil, junto ao setor da indústria, são os setores ‘mais sociais que existem’.
“52% do valor investido em um prédio é convertido em mão de obra, é convertido em salário. Com a volta total desse setor, movimentaria também o mercado de empregos, já que, normalmente os salários são de um grupo de pessoas que, quando não empregadas na construção civil, acabam demandando serviço assistencial no setor público”, disse.