Foto: Lucas Lacaz Ruiz
Uma antiga caixa d’água, com o logotipo da Ford já descascado pelo tempo, sinaliza a localização de um terreno que vem sendo escavado, em Taubaté, por alguns pais de família da cidade. Foram batizados de “garimpeiros urbanos”, como se ali fosse uma Serra Pelada em miniatura. Estão atrás de um “tesouro” de ferros retorcidos, fragmentos de peças, um dia enterrados neste terreno da montadora de veículos, em época de pouca ou nenhuma preocupação ambiental.
A área, declarada contaminada pela Cetesb desde 2002, já não pertence à Ford e, aparentemente, os novos proprietários nada fizeram para proteger o terreno e seus perigos. Somente uma placa de propriedade não tem demovido os novos “garimpeiros”.
Na verdade, esses homens não são motivados por quem vai em busca do ouro. São desempregados desses tempos de pandemia, “em busca do pão”. Dizem em uníssono que escavar foi a alternativa que lhes restou. O metal encontrado, segundo informam, é vendido a ferros-velhos da região por cerca de R$ 0,60 o quilo. Entrevistado por uma rede de TV, um deles se proclamou rei do garimpo, já que conseguiu fazer, em um dia, mais de dois mil reais.
Com picaretas e pás, desafiam o frio das manhãs, e já perfuraram boa extensão do terreno, que parece um grande formigueiro, com alguns buracos de mais de um metro de profundidade. Aqui e ali, sacos plásticos com o resultado da coleta. Muitos trabalham com a ajuda da família inteira e crianças também já foram vistas perambulando por lá.
A Agência Ambiental de Taubaté já vistoriou a área e notificou as empresas envolvidas para que estas impeçam a entrada no terreno. As empresas, por sua vez, denunciaram à polícia a invasão de terras.
A contaminação do terreno deve-se a uma grande quantidade de resíduos de insumos então usados nas antigas atividades de usinagem. O xileno, por exemplo, conhecido como BTX, pode causar intoxicações e doenças crônicas, como o câncer.
Segundo reportagem do portal G1, o terreno pertence hoje a um grupo de quatro empresas. Uma recente retirada de tubos de ferro enterrados na área teria chamado a atenção dos moradores da redondeza e despertado a nova onda de garimpagem.
As fotos que ilustram este texto são do repórter fotográfico Lucas Lacaz Ruiz, que esteve esta semana acompanhando uma jornada dos “garimpeiros urbanos”. Elas falam por si.








