
O prefeito de Taubaté, José Saud (MDB), criticou o valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) praticados no Estado de São Paulo. Saud concedeu entrevista ao Jornal Abre Aspas nesta terça-feira (20) e comentou as consequências econômicas causadas pela pandemia da Covid-19 e também pelo fechamento de empresas na cidade.
“O ICMS daqui está muito alto. Tem várias indústrias reclamando, a LG falou que se a gente tivesse um ICMS um pouco mais baixo, a gente conseguiria estar trazendo a linha branca [eletrodomésticos] dela, que já seria uma um respirador pra nós”, disse o prefeito.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo foi procurada, mas ainda não respondeu a reportagem.
Saída da Ford e LG
A Ford e a LG, anunciaram em 2021 o fim das respectivas produções em Taubaté. Com isso são estimadas mais de 1.530 demissões de empregos diretos e mais de 5 mil em empregos indiretos, de uma cadeia de terceirizados.
No caso da Ford, o anuncio ocorreu em janeiro, quando a montadora de veículos optou por não produzir mais carros no país. Na época, a montadora apontou o encerramento das atividades como uma tendência mundial, em razão das perdas de mercado.
Já a LG anunciou, em abril, o fim da produção mundial de celulares, afetando a fábrica da cidade. Dias depois, a montadora sul-coreana afirmou que também vai encerrar a produção de notebooks e monitores em Taubaté, transferindo a divisão para Manaus (AM). Em Taubaté a empresa irá manter apenas o call center.
Aumento do ICMS em São Paulo
O Estado de São Paulo reajustou o ICMS de vários produtos, desde o dia 15 de janeiro deste ano. O aumento na cobrança do ICMS foi uma das medidas que integrou o pacote de reforma administrativa e fiscal apresentada governador João Dória (PSDB), aprovada também pela Assembleia Legislativa. Segundo o governo, o objetivo da reforma, que também extinguiu estatais e reduziu benefícios, é reduzir o rombo nas contas do Estado e liberar recursos para investimentos.
A conta da nova alíquota de ICMS sobre os preços finais de cada item não é direta, porque a cobrança pode incidir sobre diferentes partes da cadeia de produção e ser cumulativa (haver cobrança de ICMS sobre um produto que já pagou ICMS pelas peças de que é feito). Porém a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) fez um levantamento estimando os aumentos que o consumidor vai pagar a mais. Dentre os itens reajustados. Alguns podem afetar diretamente as indústrias:
– Produtos eletrônicos: 4,4%
– Óleo diesel e etanol hidratado combustível: 1,5%
– Barras de aço e ferros: 1,5%
– Materiais de construção: 1,80%
– Gás natural (GN): 0,7%