Foto: Caique Toledo/OVALE
O argumento central da RMVale para flexibilizar a quarentena e permitir a reabertura de atividades comerciais em junho será de que o aumento dos casos de Covid-19 não compromete a rede hospitalar da região.
A informação fará parte do plano regional, que deve ser apresentada nesta terça-feira (26) e vem sendo elaborado com apoio do secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, indicado pelo governo para acompanhar a região.
Cada uma das cinco sub-regiões do Vale – São José dos Campos, Taubaté, Guaratinguetá, Vale Histórico e Litoral Norte – enviou subsídios para o plano regional, que será consolidado pela equipe de Penido, conforme apurou OVALE.
Uma primeira versão do plano, durante reunião do Conselho Municipalista, da qual é representante da região o prefeito de São José, Felicio Ramuth (PSDB). Ele e Penido irão apresentar o plano da RMVale.
Segundo o prefeito de Jacareí e presidente do Codivap (Associação de Municípios do Vale do Paraíba), que também participa das discussões, Izaias Santana (PSDB), o contágio do coronavírus no Vale não tem implicado em risco para o sistema de saúde.
“Há um contágio grande aqui, mas não há comprometimento da rede hospitalar. Esse é o grande argumento”, disse.
De acordo com o raciocínio, duas das cinco sub-regiões do Vale têm quadro preocupante de contaminação, a de São José e a do Litoral Norte, ambas têm a maior parte das cidades com mais casos positivos e mortes confirmadas.
No entanto, segundo Izaias, nenhuma delas apresenta risco de colapso no sistema de saúde. Pelo contrário. O aumento do contágio não tem impactado a rede hospitalar de forma a impedir relaxamento da quarentena em junho.
“A situação na sub-região de Taubaté e do Vale Histórico é insignificante em termos de contágio. A taxa é baixa”, afirmou o prefeito de Jacareí.
“A característica do contágio aqui é diferente, por causa de hábitos de higiene, saneamento básico e diversos fatores que têm tornado o contágio na região, embora crescendo, não está esgotando a rede hospitalar”, disse Izaias.
“Queremos demonstrar para o Estado que a evolução está com as características diferenciadas. Portanto, não será 4% ou 5% a menos ou mais de isolamento que irá alterar esse quadro.”
O argumento poderá ser usado, por exemplo, para reivindicar a abertura de escritórios de profissionais liberais e de lojas de calçados e roupas, dentro de protocolos de segurança e higienização.
“Temos que trabalhar com protocolos de segurança: restringir o número de pessoas [nos estabelecimentos], ampliar horário de funcionamento e restringir abertura aos sábados no primeiro mês, por exemplo. É preciso aumentar a responsabilidade das pessoas. Esses cuidados serão necessários.”
Izaias disse que Penido e Felício vão defender junto ao Estado que não há razão para exigir isolamento do Vale, haja vista não haver “receio para esgotamento da capacidade hospitalar”.
“É melhor com protocolos de responsabilidade do que insistir no isolamento por decreto, sem ferramentas para fazê-lo. Não há como manter as pessoas em casa, então é melhor ter segurança para sair”, afirmou o presidente do Codivap.
E completou: “Não temos unidade política no país [sobre o combate ao coronavírus], que é essencial para adesão das pessoas”.
