
Foto: Divulgação/PMG
O prefeito de Guaratinguetá, Marcus Soliva (PSB), vai apresentar na segunda-feira (18) os estudos que foram usados como base para a determinação de que o município adote o uso de hidroxocloroquina no combate ao coronavírus.
O governo municipal anunciou nesta sexta (15) o início do protocolo para uso do medicamento, que será utilizado em pacientes que estejam na primeira fase da nova doença. O município afirma que a decisão foi tomada com base em estudos que apontam a eficiência da hidroxicloroquina, da azitromicina e do sulfato de zinco.
O anúncio é feito em meio à contestações científicas em torno do medicamento, já que sua eficácia não é comprovada a pacientes pelos principais órgãos mundiais de saúde. A decisão dividiu opiniões de moradores nas redes sociais do prefeito, que, em entrevista à OVALE, destacou que foram analisados estudos de institutos como o HCor (Hospital do Coração), o Hospital Albert Einstein e a USP (Universidade de São Paulo).
“Estudos demonstram que a eficácia é aplicar entre o segundo e quarto dia de contaminação, nessa fase inicial. A partir daí começa a ficar mais complicado…”, disse. “Tem a fase exata para ser aplicada. Por isso estamos estabelecendo protocolos, baseados em estudos, até do HCor (Hospital do Coração), que falam sobre o perfil de segurança, que constata que não teve casos de morte”, destaca o prefeito.
Um dos exemplos citados pelo prefeito foi um estudo do virologista Paolo Zanotto, do Departamento de Microbiologia do ICB (Instituto de Ciências Biomédicas), da USP. Logo após a divulgação do estuda, a própria diretoria do ICB emitiu um comunicado em que a pesquisa não estava relacionada ao instituto e afirmou que a divulgação de resultados obtidos por seus pesquisadores deveria “estar baseada em evidências científicas sólidas e passíveis de reconhecimento pela comunidade científica e médica.”
O comunicado, no entanto, foi relativizado pelo prefeito. “Quem fala pela USP é o reitor, ou quem nomeia o reitor [o governador, João Doria (PSDB)]. Ele não abriu a boca para falar da cloroquina”, disse. “Sou a favor do isolamento mas também temos que defender uma forma de tratar o paciente, não simplesmente falar para ele ficar em casa e morrer em casa… Não é assim, temos que ter meios de poder oferecer para a população uma possibilidade de tratamento e salvação”, afirmou Soliva, que fala em “salvar vidas” com o uso do medicamento.
“Pacientes com lúpus tomam eternamente, pessoas que tem malária… uma infinidade de médicos que receitam. Qualquer remédio que você compra tem efeitos colaterais. […] Não é um remédio desconhecido, é homologado pela Anvisa, aplicado no Brasil há 70 anos.”