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A Embraer entregou 14 jatos no primeiro trimestre de 2020, sendo cinco comerciais e nove executivos (cinco leves e quatro grandes).
O volume é um dos piores da história da companhia desde 2000 e o menor para o primeiro trimestre ao menos desde 2016.
As entregas de 2020 foram 36% menores do que as vendas do primeiro trimestre de 2019, quando a empresa entregou 22 aeronaves.
A aviação comercial foi a maior impactada pelo processo de separação do restante da companhia, em razão do negócio com a Boeing, que acabou fracassando em abril.
A queda na entrega de aviões comerciais foi de 54,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2019: 5 contra 11. A aviação executiva recuou 18%: 9 ante 11.
Além do negócio com a Boeing, que ainda estava de pé no primeiro trimestre, o período é historicamente de entregas mais baixas para a companhia.
“Historicamente, a Embraer realiza menos entregas no primeiro trimestre do ano, e em 2020 em particular, as entregas da aviação comercial foram também impactadas negativamente pela conclusão do processo de separação da unidade da Aviação Comercial da Embraer, em janeiro”, informou a Embraer.
Em 31 de março de 2020, a carteira de pedidos firmes a entregar da Embraer totalizava US$ 15,9 bilhões.
Boeing
Logo após a Boeing anunciar o rompimento do acordo com a Embraer, em 25 de abril, a fabricante brasileira abriu procedimentos arbitrais contra a norte-americana, que havia informado que a Embraer não havia atendido “as condições necessárias”.
Por sua vez, a Embraer disse que a Boeing rescindira o contrato “indevidamente” e que buscaria “todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido e da violação” do acordo.
Pelo negócio desfeito, que resultaria na criação da empresa Boeing Brasil Commercial, a Boeing pagaria US$ 4,2 bilhões para deter 80% da aviação comercial da Embraer.
Para o assessor de investimentos e economista da Plátano Investimentos – XP Investimentos, Gustavo Neves, a crise do coronavírus impactou muito fortemente as empresas de aviação, especialmente fabricantes do porte da Boeing.
A ruptura do negócio entre a norte-americana e a Embraer causou impactos, mas ele vê ativos na brasileira para manter-se forte no mercado.
“A Embraer anunciou que não teve cancelamento de pedidos. A receita vai ser menor e deverá ter corte de custo, mas a Embraer tem parte de tecnologia muito forte. O prejuízo momentâneo é da Embraer, mas haverá um renascimento a partir daí. Para longo prazo, a situação não é tão ruim”, disse.
E completou: “Uma hora o coronavírus vai passar e o longo prazo a situação da Boeing é bem pior do que a Embraer, que tem muito potencial”.