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    Bancos devem injetar US$ 1 bilhão na Embraer

    5 de maio de 2020Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    Bancos devem injetar US$ 1 bilhão na Embraer

    Foto: Divulgação

    Com dificuldades em seu setor e após o conflituoso fim da venda das operações de jatos comerciais à Boeing, a Embraer deverá receber ajuda estatal, via BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Conforme antecipou o jornal “Valor Econômico”, o socorro pode chegar a US$ 1 bilhão e deve ampliar a participação do banco na empresa. As conversas estão em estágio inicial e dificilmente serão concluídas em maio.

    Segundo fontes que participam das negociações, as conversas ainda são iniciais e surgiram após a gigante americana desistir do negócio com a fabricante brasileira de aviões. Divórcio que está gerando acusações de irregularidades de ambos os lados. Com a crise provocada pela pandemia de coronavírus, causando queda brutal nos voos pelo mundo, pessoas próximas ao processo de socorro à Embraer acreditam que o momento não é para acelerar o repasse da empresa para outro grupo – provavelmente chineses – e sim apoiar a companhia nesta hora difícil.

    Os pedidos iniciais da empresa são da casa de US$ 1 bilhão. O BNDES, segundo fontes próximas a esta negociação, está tentando revisar o valor e criar um consórcio com bancos privados para a operação. Isso não apenas reduziria o risco como ajudaria no debate político: o atual governo foi eleito com a bandeira de “abrir a caixa preta do BNDES” e criticando o apoio a grandes empresas. Da mesma forma, a Embraer quer tentar dar um ar de normalidade ao socorro, lembrando que sempre busca financiamento no mercado internacional.

    Assim,  o eventual socorro à Embraer tende a ser tratado politicamente como “mais um” socorro do banco às empresas nesta pandemia, e seguiria a mesma fórmula para os outros setores: parte em empréstimo e parte em debêntures conversíveis, que poderiam ser transformados em participação acionária na empresa. Mas tal solução, dependendo da sua dimensão, pode determinar a volta do controle da empresa ao governo brasileiro, que já conta com uma “golden share” da fabricante de aeronaves.

    Bancos devem injetar US$ 1 bilhão na Embraer

    Foto: Lucas Lacaz Ruiz

    O acordo com a Boeing, que comprou 80% da área de jatos comerciais da Embraer, foi desenhado no final de 2017, após a Airbus ter comprado a área de jatos da Bombardier, maior concorrente da brasileira na aviação regional. Muitas fontes do setor militar não viam com bons olhos a venda de uma empresa estratégica, mas acabaram aceitando como forma de garantir a sobrevivência da empresa. Em troca, turbinar o principal projeto militar da empresa, o cargueiro KC-390, renomeado agora como C-390 Millenium, que será vendido também pela Boeing – esta parceria, até o momento, continua de pé.

    Porém, com o barulhento fim da parceria com a americana, fontes no governo veem uma nova possibilidade de “re-nacionalizar” a Embraer- que foi estatal até os anos 1990, ou mudar sua inserção estratégica no mundo.Parte importante do atual governo, contudo, é contra esta ideia e acredita que a empresa tem que ser tratada como “uma outra empresa qualquer”. O embate, promete:

    “Há males que vêm para o bem”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão, sobre fim do acordo Boeing-Embraer. Este eventual socorro do BNDES, contudo, é um passo para garantir a sobrevivência da empresa. Decisões mais estratégicas, seja dos atuais controladores ou do governo, só deverão ser tomadas com o fim da crise da pandemia do novo coronavírus, o que não tem horizonte no momento, sobretudo no setor aéreo, um dos mais impactados com as restrições.

    Procurados, BNDES não comentou estas informações. Já a Embraer, por meio de nota, informou que “não comenta” nenhuma “discussão específica de financiamento”, mas que “qualquer acesso a fontes adicionais e complementares de financiamento envolverá bancos internacionais e nacionais como sempre foi prática da Embraer. Desde o término indevido do MTA pela Boeing, e dadas as condições atuais, estamos considerando e adotando medidas adicionais para preservar nossa liquidez e manter nossa sólida posição financeira, o que inclui ajustes de estoque e produção, extensão de ciclos de pagamento, redução de despesas e capex e, potencialmente, acesso a fontes adicionais e complementares de financiamento”, disse a empresa.

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