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A Embraer e a Boeing analisam prorrogar o fechamento do acordo comercial que irá repassar 80% da divisão comercial da fabricante brasileira à companhia norte-americana, por US$ 4,2 bilhões.
Contratualmente, a expectativa entre as duas empresas era concluir o acordo até 24 de abril deste ano. Agora, as companhias estão discutindo a postergação da data.
Além disso, a Comissão Europeia prorrogou de 23 de junho para 7 de agosto a análise final sobre o acordo, o que também impactou na decisão das empresas em discutir o adiamento da definição sobre a transação comercial.
Desde o fim do ano passado, as datas da Comissão Europeia foram sendo postergadas, primeiro para 25 de outubro, depois para 5 de novembro, em seguida para 20 de janeiro deste ano e, por último, para o fim de abril.
Em comunicado ao mercado, a Embraer confirmou que o acordo com a Boeing pode ser adiado.
“A Embraer esclarece que, considerando a data limite para conclusão da parceria estratégica entre a companhia e The Boeing Company, inicialmente prevista no Acordo Global da Operação (Master Transaction Agreement) para 24 de abril de 2020, Embraer e Boeing estão mantendo discussões quanto à operação, incluindo em relação à prorrogação da Data Limite Inicial.”
E completou, deixando dúvidas sobre a conclusão do negócio: “A consumação da Operação permanece sujeita à aprovação pela Comissão Europeia e à satisfação de outras condições. Não há garantias quanto à prorrogação da Data Limite Inicial, à consumação da Operação e ao prazo em que ela seria consumada”.
VÍRUS
A pandemia do coronavírus afetou o mercado aéreo global, que despencou e, por consequência, impactou fortemente as maiores fabricantes de aviões, com queda prevista na demanda por novos jatos pelos próximos anos.
A Boeing já pediu ajuda financeira de US$ 60 bilhões ao governo americano e o negócio com a Embraer ganhou novos obstáculos.
O principal deles é o custo do negócio, de US$ 4,2 bilhões, previsto no acordo fechado em 2018. Naquela época, a Embraer valia R$ 19,8 bilhões no mercado. Hoje, esse número é de R$ 7,3 bilhões, um recuo de 63%.
“A prioridade da Boeing deixou de ser o acordo e passou a ser a própria sobrevivência”, disse uma fonte do mercado ao jornal O Estado de São Paulo.
