
Foto: Divulgação/PM
Os nove primeiros meses deste ano foram os mais violentos no Vale do Paraíba, ao lado de 2017, considerando as mortes em confronto com a polícia. Ambos os períodos registraram 24 mortes em confronto de janeiro a setembro, recorde da série histórica da SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública), que começa em 2005.
Na comparação com os três trimestres do ano passado, o número de mortes em confronto com policiais cresceu 50% neste ano, de 16 para 24.
Neste ano, o total de vítimas fatais em confronto com a polícia na região é maior do que em 2006, de janeiro a setembro, ano marcado pelos ataques proferidos pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) às forças de segurança.
Na série histórica da SSP, para os nove primeiros meses de cada ano, o recorde de mortes em confronto tem 2019 e 2017 na liderança, com 24 óbitos cada. Depois aparecem 2006 (22), 2005 (19), 2015 (18) e 2018 (16).
O menor registro foi em 2012, com apenas duas mortes de janeiro a setembro.
Em 2019, todas as mortes ocorrem em confronto com a Polícia Militar, sendo 23 delas com policiais em serviço e uma com um PM de folga, segundo dados da SSP.
No ano passado, também em nove meses, dois dos óbitos ocorreram em confronto com policiais civis, sendo um de serviço e outro de folga. As outras 14 mortes foram em ocorrências com policiais militares, sendo 13 em serviço e uma, na folga do agente.
Durante a campanha ao governo de São Paulo, em 2018, o então candidato João Doria (PSDB) causou polêmica ao dizer que “se bandido reagir, vai para o cemitério”.
Ele foi criticado por se alinhar a Jair Bolsonaro, que concorria à presidência e pregava o conceito de ‘bandido bom é bandido morto’.
“Quem quer o confronto sempre é o criminoso”, afirma o comandante da PM
O comando da Polícia Militar na região diz que os policiais são treinados para prender e salvar vidas, sendo o confronto “sempre uma escolha do criminoso”. Segundo a PM, a maioria das vítimas fatais ou feridas durante confronto é reincidente no crime, com “farta ficha criminal, evidenciando a necessidade de uma reavaliação da legislação atual”. “A polícia se preocupa com o cidadão de bem. Quem quer o confronto sempre é o criminoso”, disse o coronel José Eduardo Stanelis, comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior).
Para Leonardo Carvalho, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, estimular o confronto é uma “linha policial ineficiente”. “A inteligência policial é o caminho mais inteligente para obter resultados”. E diz: “É preciso avaliar se não houve abuso nos casos de morte”.