
Foto: MEC
Logo após a ameaça de corte em bolsas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) por falta de dinheiro, o que pode paralisar a pesquisa científica de 1.105 bolsistas no Vale do Paraíba, o Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior) anunciou o congelamento de 5.613 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no Brasil a partir de setembro.
A medida vai afetar pesquisadores e estudantes no Vale, embora o Capes não informe quantas bolsas há na região. Segundo o órgão, o estado de São Paulo tem a maior quantidade de bolsas congeladas do país, com 1.673, o que gerará uma economia de R$ 11,4 milhões.
No total, a economia no país neste ano com o congelamento das bolsas será de R$ 37,8 milhões, também segundo o órgão federal, podendo chegar a R$ 544 milhões nos próximos quatro anos. O motivo é o mesmo do CNPq: falta de dinheiro.
O MEC (Ministério da Educação) divulgou que, em 2020, a Capes só terá metade do orçamento de 2019. Para todo o ministério, a perda prevista será de 9%.
Em nota, a Capes informou que possui 211.784 bolsas ativas em todas as suas áreas de atuação. Deste total, 92.680 bolsas pertencem a mestrado e doutorado. O contingenciamento vai atingir 2,65% do total das bolsas da Capes, que ficarão ociosas a partir de setembro de 2019.
Com essa ação, segundo a Capes, a parcela principal dos benefícios foi preservada, assegurando-se o pagamento de todas as bolsas ativas. “Queremos preservar o pagamento dos todos bolsistas que já recebem o benefício”, disse Anderson Correia, presidente da Capes. “Todas as possibilidades estão sendo estudadas para garantir o pleno funcionamento dos serviços”.
Segundo ele, uma das iniciativas será buscar financiamento por meio de parcerias com empresas.
Aluno de mestrado no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) com bolsa CNPq, Victor Curtarelli, 28 anos, disse que o congelamento na Capes também afetará a região. “No meu curso, a maior parte das bolsas é da Capes”.
Segundo ele, pesquisas podem perder força, projetos ser cortados e laboratórios perderem recursos para manutenção. “Estamos levantando o número de bolsas”.