Xandu Alves/OVale

Foto: Arquivo/OVale
A cada uma hora e meia uma pessoa morre de câncer no Vale do Paraíba. Em média, a doença vitima 15 pessoas por dia na região.
A estimativa é feita com dados do Ministério da Saúde, que registra 5.576 mortes pela doença na região em 2017 — é a base de dados mais atual da pasta pelo DataSUS.
O total representa aumento de 36% na quantidade de casos fatais na comparação com 2006, quando 4.109 mortes por câncer foram registradas na RMVale.
E esses números podem ser ainda piores, em razão da falta de informação que ainda acomete muitos pacientes.
INFORMAÇÃO
Os médicos apontam que, quanto maior o acesso a informações sobre esse tipo de doença, maior as chances de as pessoas se prevenirem, fazerem melhores escolhas de tratamento e entender que o câncer pode ser encarado como uma doença crônica.
De acordo com os especialistas, as vítimas poderiam ter outro destino se soubessem mais sobre diagnósticos e tratamentos disponíveis, muitos deles, existentes no SUS (Sistema Único de Saúde).
“Esse é um tema que tem a ver com todos nós, independentemente de sermos pacientes, familiares ou amigos”, afirmou, em nota, Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.
“A informação prepara o indivíduo para se cuidar melhor e se preparar para fazer escolhas com mais segurança.”
A instituição promoverá, ao lado do Instituto Espaço de Vida e da International Myeloma Foundation Latin America, o seminário “Tenho câncer, e agora?”, que será realizado em São Paulo, em 3 de agosto, no Hotel Pullman Vila Olímpia.
O evento é gratuito e voltado para toda a população.
Segundo Marlene, o evento visa “levar informação para o público em geral, mas também é aberto a pacientes que enfrentam o diagnóstico recente ou já iniciaram tratamento”.
REGIÃO
Entre as cidades da região, São José dos Campos tem o maior número de mortes registradas por câncer, com 789 casos em 2017, alta de 59% ante as 496 vítimas fatais em 2006.
Na média, uma pessoa morre de câncer na cidade a cada 11 horas. Percentualmente, Caraguatatuba registra o maior crescimento na região, com alta de 93%: 73 óbitos em 2006 para 141, em 2017, segundo dados do Ministério da Saúde. A média é de uma vítima fatal a cada 2,5 dias.
No mesmo período, Taubaté passou de 295 para 403 mortes (alta de 37%), Jacareí de 189 para 257 (36%) e Guaratinguetá de 118 para 152 (29%).
‘Câncer ainda é tabu, principalmente relacionado à morte’, afirma oncologista
Coordenador de oncologia mamária e cutânea do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, o oncologista Felipe Ades admite que parte do crescimento dos casos de câncer se deve ao aumento do diagnóstico da doença, além do envelhecimento da população. Mas também tem a ver com o estilo de vida das pessoas.
“O aumento numérico chama a atenção e tem a ver com o envelhecimento da população. Qualidade de vida e informação são fundamentais para as pessoas prevenirem os problemas”.
Segundo o especialista, o câncer ainda é envolvido em muito tabu, especialmente relacionado à morte. “Tem que informar”.