Xandu Alves/OVALE
Foto: Agência Brasil
O salário médio de todas as carreiras que geraram saldo de emprego na RMVale nos primeiros cinco meses deste ano caiu 2,67% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O valor sofreu recuou de R$ 2.162,42 para R$ 2.104,77, segundo levantamento de OVALE com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia.
Nos últimos 12 meses a partir de maio deste ano, a inflação acumulada foi de 4,66%. A falta de reajuste no salário médio e a inflação de quase 5% reduzem o poder de compra de assalariados.
“O desemprego crescente e a situação de pouca produção enfraqueceram a capacidade de negociação dos trabalhadores, o que afeta o valor dos salários, principalmente na indústria”, disse o economista Edson Trajano, pesquisador do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais).
“E isso impacta outros setores, como serviços e comércio, que dependem muito do crescimento da área industrial”, completou.
A carreira que mais contratou na região nos cinco primeiros meses do ano foi a de alimentador de linha de produção, cargo comum no setor industrial em todo Vale. O saldo foi de 648 empregos, no entanto com queda de -0,10% no valor do salário médio, que recuou de R$ 1.440,79 para R$ 1.439,36.
Entre as profissões que mais contrataram no Vale, a de assistente administrativo e a de auxiliar de logística também tiveram recuo no salário médio, na casa de -4,8% e -10,38%, respectivamente.
O valor de auxiliar caiu de R$ 1.393,90 para R$ 1.249,15. Já o de assistente foi de R$ 1.586,66 para R$ 1.510,51.
REAJUSTE
As carreiras de professor de nível superior para educação infantil e a de professor de nível médio para o ensino fundamental foram as que mais aumentaram o salário médio na região de janeiro a maio.
Na primeira, o valor subiu 27,28%, cinco vezes a inflação acumulada no período. O rendimento passou de R$ 1.282,19 para R$ 1.632,03.
O vencimento de professor para o ensino fundamental registrou um aumento de 14,33%, saltando de R$ 1.820,00 para R$ 2.080,74.
SALDO
Além do salário médio mais baixo, o saldo das carreiras também foi menor em 2019. De acordo com o Caged, as contratações alcançaram 80.695 trabalhadores de janeiro e maio deste ano, contra 81.097 em igual período do ano passado, retração de -0,50%.
Na mesma base de comparação, as demissões aumentaram 3,32%, passando de 78.424 para 81.031.
O resultado é que o saldo das carreiras despencou na região. Nos cinco primeiros meses do ano passado, as profissões geraram 2.673 empregos, volume que caiu para -336 neste ano.
“Há muita insegurança no mercado que reflete numa piora da situação econômica. O risco de perder emprego continua alto”, afirmou Trajano.
Segundo ele, um dos motivos para a queda da média salarial no Vale é a substituição de trabalhadores mais velhos por gente mais nova, com menor experiência.
“Muitas fábricas demitiram trabalhadores e contratam pessoas ganhando menos, o que impacta no salário médio da região. O governo precisa ter mais clareza na política econômica”.
