Julia Carvalho/OVale

Foto: Divulgação
Após cerca de dois anos, o processo de Mateus Sousa, de 20 anos, que atropelou e matou quatro pessoas na avenida Geraldo Scavone, em São José dos Campos, está pronto para ser julgado.
A Justiça vai decidir agora se o réu vai a júri popular por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) ou vai ser julgado pelo juiz, caso o crime seja considerado culposo (sem a intenção de matar).
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O processo foi concluído na última sexta-feira e ainda não há prazo para a realização do julgamento. Após a conclusão do inquérito, a polícia indiciou o réu por homicídio doloso, com dolo eventual — quando se assume o risco de matar.
Mateus foi preso no dia 21 de fevereiro na cidade de São Paulo e encaminhado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) 2 de Pinheiros.
A defesa conta com o trabalho de um perito independente, que produziu um laudo contestando a acusação de embriaguez e alta velocidade. O documento foi anexado ao processo para análise da Justiça.
“Após chegar em casa ele [Mateus] disse para o pai que colidiu com alguma coisa, mas não sabia o que era, eles foram até o local em seguida e constataram que se tratava das vítimas, se tivéssemos essas imagens seria importante. Por isso estamos refutando a acusação de que o acidente foi de forma dolosa”, disse o perito de defesa, Carlos Leal, que é presidente do Instituto Brasileiro Autônomo de Ciências Forenses e dono de uma empresa que atua no ramo. Uma reconstrução virtual do atropelamento também está sendo feita pelo perito de defesa de Mateus.
DEFESA DAS VÍTIMAS.
“O laudo juntado pela defesa comprova que o acusado estava em velocidade acima do permitido e, principalmente, demonstra claramente que o acusado não esboçou qualquer reação imediata de frenagem após passar com o carro por cima das vítimas. As famílias aguardam uma sentença de pronúncia para que o acusado seja julgado pelo júri popular por homicídio doloso e que seja mantida sua prisão cautelar”, afirmou o advogado de defesa das vítimas, Cristiano Joukhadar.
Defesa de atropelador contesta acusação de consumo de álcool e alta velocidade
O laudo oficial do acidente, feito pela Polícia Científica, afirma que o carro guiado por Mateus trafegava a 89 km/h e 106 km/h. O limite na via é de 50 km/h. Já as informações do perito contratado pela defesa apontam que o réu estaria a 63 km/h — ainda assim acima do limite. “Realizamos um parecer técnico paralelo ao realizado pela perícia criminal, onde eu havia determinado a velocidade feita através da projeção das vítimas, porque nós temos metodologias científicas forenses”, afirmou o perito da defesa, Carlos Leal. A defesa refuta a acusação de que o réu teria ingerido álcool antes do atropelamento. A polícia divulgou vídeos de Mateus em bares.