Dados oficiais divulgados pela SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) de São Paulo mostram que quase dobrou o número de pessoas mortas durante o confronto com a polícia no Vale do Paraíba neste ano.
No primeiro trimestre, foram 1 mortes na região contra seis de janeiro a março do ano passado, alta de 83%. Todas as mortes deste ano ocorrem em confronto com a Polícia Militar. No ano passado, um dos óbitos deu-se durante a folga de um policial.
É ainda o maior número de mortes em confronto com a polícia na região, para o primeiro trimestre, da série histórica da SSP, que começa em 2005. O total deste ano se equipara às mortes de 2017.
Foram quatro mortes em São José dos Campos, três em Pindamonhagaba (quando a PM impediu um ‘tribunal do PCC’), além de uma em Cruzeiro, outra em Guaratinguetá, e também em Taubaté e São Sebastião.
Durante a campanha eleitoral para o governo de São Paulo, no ano passado, o então candidato João Doria (PSDB) causou polêmica ao dizer ‘bandido que reagir vai para o cemitério’.
O discurso é criticado por especialistas como Dora Soares, cientista social e política, que o chama de “extremismo programático”. “É preciso haver uma polícia mais qualificada e democrática, capaz de preservar a vida dos cidadãos, e não de atirar primeiro”, afirmou a estudiosa.
‘Policiais são treinados para salvar vidas. Confronto é escolha do criminoso’, diz PM
O comando da Polícia Militar disse que os policiais são treinados para prender e salvar vidas, sendo o confronto “escolha do criminoso”. “A análise da inteligência policial evidencia que a maioria das vítimas fatais ou feridas durante confronto é reincidente no crime, com farta ficha criminal, evidenciando a necessidade de reavaliação da legislação”.
Coronel José Eduardo Stanelis, comandante do CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), comenta o aumento das mortes em confronto com a polícia no Vale do Paraíba:
“A polícia se preocupa com o cidadão de bem. Aquela pessoa que sai para trabalhar, que produz, que é pai de família e que paga seus impostos. Quando o bandido atira, a única coisa que a polícia se preocupa é em defender a própria vida. A polícia não quer o confronto. Quem quer o confronto sempre é o criminoso, que é quem sempre atira primeiro ou faz menção de atirar.
Se está aumentando o confronto com a polícia, é porque a polícia está chegando nas ocorrências. A polícia está defendendo o cidadão de bem, preocupada com a pessoa que está preocupada em ganhar o pãozinho diário. Em segundo lugar, se há o confronto, a opção do confronto não é do policial, é do criminoso.
Quando o policial chega e fala a célebre frase: “parado”, “polícia”, “solta a arma”, “põe a mão na cabeça”, e o criminoso atira no policial, ele está optando pelo confronto.
Então, se está havendo aumento de confrontos, duas coisas podemos concluir. Primeiro, a polícia está chegando nas ocorrências, está trabalhando mais. Segundo, o criminoso está optando pelo confronto. O policial não quer confronto. Quer prender o criminoso ileso, levá-lo a julgamento para que a justiça faça sua parte. A opção do confronto é sempre do criminoso.”
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