Foto: Divulgação/PM
Mil policiais. Ou 1.000 policiais. A forma não importa. O problema é o conteúdo: o número descreve o déficit de policiais na mais violenta região do interior do Estado de São Paulo, o Vale do Paraíba.
Com 364 pessoas assassinadas em 2018 – em 2º lugar, Campinas teve 278, a RMVale tem um déficit de ao menos 1.000 profissionais nas polícias Militar e Civil.
Responsável pelo patrulhamento ostensivo e repressão ao crime, a Polícia Militar tem um “clarão” de 700 homens, equivalente a 20% do efetivo, em torno de 3.400 policiais.
Unidade de elite da instituição no Vale, o Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de São José atua com 158 policiais, metade do efetivo para a unidade proposto pelo governador João Doria (PSDB), de 300 homens.
Ele ainda descumpriu promessa de instalar, em Taubaté, o primeiro dos 17 Baeps que pretende criar em seu governo. Na última sexta-feira, foram criados quatro novos Baeps, nenhum deles no Vale.
Ou seja, a RMVale que poderia ter dois Baeps com 300 homens cada –São José e Taubaté–, contando com 600 policiais de elite para combater a criminalidade, conta com um só Baep e com metade do efetivo para atender a região.
Mas a realidade é ainda pior na Polícia Civil. Um ex-investigador, que pediu para não ser identificado, classifica a situação como “caos”.
“Sem estrutura e investimento, a Polícia Civil não investiga. Precisa de muito mais gente para investigar. No Vale, faz 10% do que deveria”.
O déficit “oficial” é de ao menos 300 policiais, segundo levantamento do Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo). Entre os policiais, fala-se em ao menos 1.700.
“Há um baixíssimo efetivo e faltam investimentos. Os nossos policiais suam a camisa para manter um índice de esclarecimento alto apesar da nossa caótica situação funcional”, disse um delegado.
‘Combate à criminalidade e reforço no policiamento são compromissos’, diz SSP
“O combate à criminalidade e o reforço no policiamento em todo o Estado são compromissos da atual gestão”, informou a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública). “Prova disso é que o orçamento da Segurança Pública em 2019 foi ampliado e não contingenciado”. Segundo a pasta, os recursos para a Polícia Civil “também cresceram em 2019”, com mais de R$ 4,1 bilhões para “custeio, pessoal e complementar os investimentos feitos nos últimos anos”, entre eles 223 novas viaturas (R$ 14,2 milhões) para o Vale. “Foram incorporados 244 policiais ao efetivo do Deinter-1, sendo 24 delegados, 31 escrivães, 117 investigadores, 43 agentes policiais, 15 agentes de telecomunicação, três papiloscopistas e 11 auxiliares de papiloscopista”.
(Xandu Alves – OVale)
