O presidente da General Motors Mercosul, Carlos Zarlenga, abriu negociação nesta terça-feira com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos para viabilizar o complexo industrial da montadora na cidade, que corre risco de fechar.
Alegando prejuízo e em plena reestruturação mundial –sete fábricas podem ser fechadas–, a presidente da GM, Mary Barra, ameaça deixar o Brasil e a América do Sul: “Não vamos continuar investindo para perder dinheiro”.
A meta da montadora é cortar custos de produção e tentar trazer novos carros para serem produzidos em São José. Atualmente, com cerca de 4,8 mil trabalhadores, a GM produz a picape S10 e a SUV Trailblazer, além de motores e transmissões.
O ciclo de vida dos dois veículos termina em 2021 e, sem novos carros para produzir em São José, a GM pode fechar a fábrica.
A negociação também envolve São Caetano do Sul, cuja fábrica da GM irá receber R$ 1,2 bilhão em investimentos para ampliar a capacidade produtiva. O dinheiro faz parte de um pacote de R$ 13 bilhões em investimentos já anunciado pela GM no Brasil até 2020, para uma nova família de veículos. A fábrica de São José ficou de fora.
Além disso, a GM considera os custos da unidade inviáveis para produzir veículos populares, o que pode dificultar a chegada de novos projetos.
Para reduzir seus custos, a GM vai negociar, além dos sindicatos, com as prefeituras de São José e São Caetano, com o governo estadual e fornecedores.
Uma nova reunião com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José está marcada para esta quarta, em um hotel em Guarulhos. Em São José, o sindicato fará assembleias com os trabalhadores da GM.
‘Negociaremos, mas sem aceitar demissões’, afirma sindicato
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Renato Almeida, saiu da reunião com a GM na tarde desta quarta-feira com a pauta de reivindicação da empresa. “Vou apresentar primeiro aos trabalhadores”, disse. Sem adiantar os itens, ele afirmou que se trata de uma “negociação de grande porte”, que deverá ser “delicada e cirúrgica”. “Vamos tentar o máximo possível trazer investimentos para cá e não deixar fechar, mas seguimos com nossa bandeira”. O sindicato é contra “qualquer plano que envolva demissões e flexibilização de direitos”.
‘Existe plano de investimento que exige negociação rápida e conjunta’, diz Felicio
Após participar da reunião com a diretoria da GM e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José, o prefeito Felicio Ramuth (PSDB) admitiu que a situação da montadora é “preocupante” e que exigirá “negociação conjunta” e “disposição para encontrar uma solução”. Segundo ele, há a possibilidade de o complexo industrial da GM em São José receber investimentos para a produção de novos veículos, a única saída viável para a fábrica. “A linha de veículos feita em São José termina seu ciclo em 2021. Sem investimento, a fábrica ficará numa posição pior do que hoje”. Dizendo-se “otimista” com o encontro, Felicio disse que os investimentos dependerão dos acordos e que iniciarão “um novo ciclo na GM que a cidade não tem há mais de 20 anos”.
Fonte: OVale
Foto: Divulgação / Sindmetalsjc
