Dia 14 de janeiro, 16h.
Próximo à linha do trem, o jovem cruza a tênue linha entre a vida e a morte. A tiros, ele é morto na Água Quente, bairro na periferia de Taubaté. Deixa a vida para figurar nas estatística de violência na RMVale, a região mais violenta de todo o estado de São Paulo.
E o que diz a estatística?
As armas de fogo foram empregadas em 69,7% dos homicídios e latrocínios registrados no Vale no ano de 2018.
Os dados foram obtidos pelo OVALE, junto ao CPI-1 (Comando de Policiamento do Interior), unidade que comanda a Polícia Militar na região.
Com exclusividade, os números mostram ainda que outros 19,8 dos assassinatos foram praticados com armas brancas e o uso de paus, pedras e ainda as mortes por agressão responderam por 10,44% do total.
“Entre as armas de fogo mais utilizadas, 97,97% correspondem ao uso de revólveres e pistola e 2,03% a espingardas”, diz nota enviada pelo CPI-1.
Nos assassinatos praticados por adolescentes o panorama é similar: armas de fogo estão em 70% deles casos, agressões, pedras e paus em 20% e armas brancas em 10%.
“Diante de tal cenário, a PM entende que se faz necessário o endurecimento de penas para porte ilegal de arma de fogo buscando desestimular a circulação de armas ilegais e prioriza o desenvolvimento de trabalhos voltados a abordagens policiais, orientados por análises georreferenciadas, para apreensão de armas nas ruas”, diz o comando da PM.
ARMAS
Entre o início dos anos 1980 e 2016, o percentual de homicídios no país cometidos com armas de fogo foi de 40% para 71% do total, de acordo com os dados do Atlas da Violência, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo os pesquisadores, sem a aplicação do Estatuto do Desarmamento,a quantidade de homicídios no país seria 12% maior.
No último dia 15, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que facilita a posse de armas.
VIOLÊNCIA
Entre janeiro e novembro, de acordo com estatísticas do governo paulista, a RMVale, na contramão do estado, teve aumento de 5,8% nas vítimas de homicídio e 33,3% nos casos de latrocínio. Foram 309 vítimas, maior índice do interior paulista; a região vice-líder, Campinas, teve 231 casos. Em São Paulo, a queda foi de 10,7%.
A RMVale é ainda a única região de São Paulo a ultrapassar o índice de 10 homicídios a cada 100 mil habitantes — patamar que é tido como tolerável pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
(O Vale)
Foto: Divulgação.
