A concretização do negócio entre a Embraer e a Boeing foi colocada em dúvida pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).
Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, o presidente afirmou que a proposta, concretizada entre as empresas e que depende apenas do aval do governo, pode ‘afetar interesses’ do país. Após as declarações, as ações da Embraer caíram mais de 5%.
“Essa fusão seria muito boa, mas nós não podemos, como está na últiam proposta, que daqui a cinco anos tudo seja repassado para o outro lado. Nossa preocupação é essa, é um patrimônio nosso”, afirmou Bolsonaro, em entrevista na Base Aérea de Brasília.
O acordo prevê a criação de uma nova companhia, uma joint venture, na qual a Beoing teria 80% e a Embraer ficaria com 20%.
O negócio envolve a aviação comercial da empresa com sede em São José dos Campos, avaliada em mais de US$ 4,75 bilhões.
O presidente não chegou a detalhar qual sua ideia para alterar a última versão do contrato, mas teria falado em ‘proteção do patrimônio nacional’.
AÇÕES
Após as declarações de Bolsonaro, as ações da Embraer chegaram a liderar as principais baixas na bolsa de valores, com retração de 5,02%.
Em visita ao Vale do Paraíba logo depois da eleição, o presidente chegou a declarar que daria aval à operação. Os advogados da Embraer já chegaram a tratar o acordo como a ‘salvação’ para a empresa brasileira.
No acordo, que teve termos anunciados em dezembro, a Embraer pode vender sua participação na joint venture para a Boeing a qualquer momento após a assinatura do contrato.
Segundo o acordo anunciado nesta segunda-feira, a empresa brasileira pode sair totalmente do negócio e vender sua fatia aos americanos.
(O Vale)
Foto: Antonio Milena.
