Não é todo ano que temos três pentacampeões nas três categorias top do esporte a motor internacional. Mas, quais as semelhanças e diferenças entre Lewis Hamilton, Scott Dixon e Marc Márquez, além dos cincos títulos e do fato de disputarem categorias bastante distintas entre si, como Fórmula 1, Fórmula Indy e Moto GP, respectivamente?
À primeira vista, as conquistas antecipadas de Hamilton e Márquez podem induzir ao leitor a pensar que tiveram vida fácil durante o campeonato todo, dispondo de equipamentos superiores à concorrência, como já se viu em outras oportunidades. Isso não foi verdade!
Muito pelo contrário! Em muitas corridas, o inglês, por exemplo, contou com uma Mercedes menos eficiente que as Ferraris de Vettel e Raikkonen, que maltratava os pneus e não era tão rápida de reta como os carros vermelhos. De fato, em alguns finais de semana, como Rússia e Japão as flechas de prata não tiveram concorrência, todavia, pode-se dizer, com segurança, que o que realmente fez a diferença foi o talento natural de Lewis, muito semelhante ao do nosso saudoso Ayrton Senna e sem iguais no grid atual. Além disso, teve o sangue frio que seu concorrente direto Sebastian Vettel não possuiu em momentos cruciais do campeonato, como no conturbado e molhado GP da Alemanha.
Marquez segue uma cartilha semelhante à Hamilton, talvez com maior mérito, por dispor de uma Honda inferior, principalmente, em relação às velozes Ducatti de Duvizioso e Lorenzo, por toda a temporada. Praticamente, dominou o campeonato do começo fim, lançando mão de sua reconhecida agressividade, aliada a uma pilotagem segura, como não se via no começo de sua carreira. Caiu pouco e viu seus principais rivais caírem muito. Se alguém tem dúvida que tinha uma moto inferior à concorrência, dê uma pesquisada na posição no campeonato do seu companheiro de equipe Dani Pedrosa.
Dixon, por sua vez, teve uma vida um pouco mais difícil que os seus pares pentacampeões. Em um ano de mudanças no regulamento com a estreia de um novo carro, mais difícil de guiar, demorou a pegar a mão do mesmo. Mas, aos poucos foi se acostumando com os Dallaras DW12, fazendo prevalecer sua sabida competência em economizar combustível e ser agressivo na hora certa. Com isso, entregou bons e regulares resultados, mesmo contando com uma Chip Ganassi pouco inspirada, que lhe entregou um carro bem inferior à concorrência.
Em uma sempre competitiva Indy, Scott mostrou mais uma vez porque é o melhor piloto em atividade e que tem ainda muita lenha para queimar. Espero que isso também se reverta em melhores resultados nas 500 milhas de Indianapolis, já que bebeu o leite dos campeões apenas uma vez até agora.
Lewis Hamilton, Scott Dixon e Marc Márquez propiciaram para qualquer entusiasta do esporte a motor momentos de muita emoção ao longo suas vitoriosas carreiras. Neste ano, não foi diferente! Apesar das estatísticas sugerirem o contrário, conseguiram suas façanhas com muita competência e habilidade, entrando merecidamente para o rol dos melhores de suas respectivas categorias.
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