Desde que aceitou o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes tem ocupado parte do seu tempo na Equipe de Transição do governo com reuniões e conversas com a classe política, visando ampliar o orçamento da pasta. Seu principal argumento é que o MCTIC deve ter uma atuação transversal, constituindo-se na chave para o desenvolvimento do país em diversas áreas, como saneamento, recursos hídricos, saúde, infraestrutura e meio ambiente. Mas, para atuar, o MCTIC precisaria poder contar com uma contribuição orçamentária por parte dos ministérios responsáveis por esses setores.
“O investimento em tecnologia tem retorno significativo e rápido”, afirmou Pontes, em entrevista à jornalista Ana Paula Soares, da Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA), no dia 14 de novembro. O futuro ministro é engenheiro aeronáutico formado pelo ITA, turma de 1993.
Na visão de Pontes, para cumprir o que considera a missão do MCTIC – gerar conhecimento, produzir riquezas e contribuir para a qualidade de vida dos brasileiros – será necessário atuar nas quatro camadas que compõem o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (C, T & I): formação de recursos humanos, pesquisa, inovação e comunicação/cooperação. “É como se tivéssemos quatro folhas de papel sobrepostas. Existe uma certa interface entre elas, o que não quer dizer que haja uma hierarquia, ou que uma tenha prioridade sobre a outra. “Significa que há uma ligação lógica entre elas, que precisa ser considerada”.
No ministério, ele pretende ainda fomentar a implementação de laboratórios regionais compartilhados de inovação, em parceria com as universidades, institutos de pesquisa, instituições de fomento e o Sebrae, para promover a maior aproximação e interação universidade-empresa. Pontes também apresentou sua visão sobre o Programa Espacial Brasileiro, que inclui a otimização e uso comercial de estruturas existentes atualmente, visando à geração de recursos para o próprio programa e o desenvolvimento social das comunidades do entorno.
Para o presidente da AEITA, Marcelo Dias Ferreira, as diretrizes apresentadas por Pontes demonstram conhecimento da área e apontam caminhos a serem explorados que, se bem-sucedidos, poderão trazer benefícios significativos para a sociedade brasileira. “Sabemos que as boas ideias não são, por si só, garantia de sucesso. Mas a inexistência de ideias é a certeza do fracasso”, afirmou. “Ciência e tecnologia aliadas à educação e à iniciativa privada são a melhor fonte de geração de benefícios econômicos e sociais, isso é indiscutível e deveria ser um consenso entre os tomadores de decisão”.
Leia a íntegra da entrevista de Marcos Pontes à AEITA
Foto: Arquivo pessoal
