Os alunos do primeiro ano de graduação do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) são estudantes que, em sua maioria, acabaram de sair do ensino médio. Muitos com seus 18, 19 anos. Alguns com um pouco mais. Outros, exceções de um grupo já seleto, incrivelmente mais jovens. Todos com uma inquestionável sabedoria para as exatas.
Os primeiros 24 meses de graduação em qualquer um dos cursos no instituto são iguais. Chamam de “Curso Fundamental” e têm a base curricular dividida em cinco disciplinas: Matemática, Computação, Engenharia Mecânica, Química e Humanidades. Esse é o momento em que os alunos aprendem “de tudo” para, a partir do terceiro ano, afunilarem os conhecimentos nos conteúdos da engenharia desejada.
Dentro de todo o conhecimento básico que aprendem no primeiro ano, há uma atividade interessante. Nos laboratórios de química, onde têm aulas durante três horas por semana, eles desenvolvem projetos científicos para apresentar em um workshop de química, que vem acontecendo anualmente desde 2014 e tem servido de pontapé para estudos mais extensos.
A mais recente edição do evento foi realizada na última sexta-feira (29) com os trabalhos dos 160 calouros de 2024. Como manda a tradição, eles se dividiram em grupos e expuseram suas pesquisas organizados como uma tradicional feira de ciências, a postos para te explicar sobre o tema escolhido e desenvolver também suas habilidades de traduzir a ciência.
“Nossos alunos são bons e quando são estimulados eles vão. Quanto mais difícil, mais eles se empenham em resolver. Eles são extremamente autodidatas e acabam indo para a frente”, enfatizou a professora Debora Brunelli.

O evento foi aberto ao público, mas frequentado mesmo por veteranos, professores e outros grupos que também têm o dia a dia naquele complexo enorme do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial).
Eram tantos projetos legais que mereciam circular fora do meio acadêmico. 30 protótipos, iniciativas embrionárias, mas com potencial de serem aprimorados, possivelmente a longo prazo e nas futuras edições do workshop, espaço em que as turmas costumam desenvolver pesquisas em cima dos resultados de pesquisas anteriores.
A democratização da ciência passa não só pela sala de aula, mas também por oportunidades em que jovens assim podem mostrar para outras camadas da população a matemática, física ou química presentes nas energias limpas, nos projetos aeroespaciais e até mesmo no próprio cotidiano.
Minoxidil caseiro
Um dos grupos sugeriu uma alternativa verde e mais barata para os calvos cobrirem suas entradas. Os estudantes prepararam um “minoxidil caseiro” em gel feito com folhas de goiaba, cravo-da-índia e alecrim. O produto teve poder antiflamatório aprovado nos testes e mesmo após a feira ainda deve passar por mais testes para verificar o poder de regeneração capilar.

Propelente para foguete
Alguns alunos mais ousados decidiram misturar óleo de mamona e KNO3 (nitrato de potássio), substância vendida até no Mercado Livre, e descobriram que os dois formam um propelente sólido eficiente e podem ser úteis para substituir componentes mais caros na propulsão de foguetes.

Limpeza da água a partir do açaí
Outro grupo pesquisou sobre a reutilização caroço do açaí, geralmente descartado após a produção industrial. Abundante na região amazônica, o caroço foi utilizado pelos alunos do ITA para produzir carvão ativado e, a partir disso, pode ajudar na remoção de metais pesados, como o cobre, das águas de rios e lagos.
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Casca de banana para remover corante
A casca de banana foi mais uma que ganhou fim além da lata de lixo. Um grupo propôs em seu projeto que ela seja utilizada como adsorvente na remoção de corantes têxteis do meio ambiente. O tingimento de roupas e tecidos, segundo a pesquisa dos alunos, libera cerca de 10.000 toneladas de corantes reativos na natureza por ano.
“A gente incentiva muito projetos ligados à sociedade. Neste ano, em uma das turmas, sugerimos projetos ligados à sustentabilidade. Tratamento de água, matérias orgânicas, são coisas que eles se interessam muito também. Acaba que é um encontro e isso flui naturalmente”, explica Luciana Coppio, professora de química do ITA e vice-coordenadora do workshop.

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