
Que a Orquestra Joseense vai tocar pela primeira vez na Sala São Paulo — palco de concertos reconhecido mundialmente — você já sabe. Mas o quão significativo isso é para quem faz parte da orquestra?
A Sala São Paulo é um espaço de referência na música clássica na América Latina por sua acústica impecável.
Ela se destaca pela posição e espessura da madeira do palco, as paredes pesadas, o forro móvel, a disposição dos balcões e seu desenhos frontais. Além disso, é a casa da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
No próximo domingo (4), a Orquestra Joseense estreia no local e essa será também, para alguns dos músicos do grupo, a primeira vez na Sala São Paulo.

É o caso de Nadine Morais. Ela é flautista e se orgulha em fazer parte da orquestra que, um dia, foi sua inspiração. Desde criança, era levada pela mãe para assistir a orquestra — experiência que despertou nela o desejo de estudar música.
Ingressou no Projeto Guri, onde aprendeu a tocar flauta, e mais tarde foi aprovada na Licenciatura em Música da USP (Universidade de São Paulo) no campus de Ribeirão Preto. Já formada, ela voltou para São José, tornou-se professora do próprio Projeto Guri e passou a integrar a Orquestra Joseense.
Na apresentação, Nadine fará um solo de “Os Borulóides”, do artista brasileiro Edmundo Villani-Cortês, e a expectativa é alta.
“É uma vitória para São José e, pessoalmente, para mim também. Depois de tanto tempo estudando e sonhando com isso, estar na melhor sala de concertos do mundo é muito emocionante. Já conquistamos o público local, e agora é hora de ir além. Estar na Sala São Paulo mostra que, em apenas três anos, a orquestra fez muito e está no caminho certo”, disse a musicista.
O concerto, sob regência do maestro William Coelho, terá um repertório especial de compositores brasileiros, como Heitor Villa-Lobos, Clarice Assad, Ernani Aguiar, entre outros.
A brasilidade do programa é um diferencial, já que é comum as orquestras tocarem obras do repertório europeu.
“É bastante diverso, com a presença não apenas de compositores, mas também de compositoras — algo ainda pouco comum nas programações orquestrais. Temos nomes brancos, negros e obras com temáticas muito distintas,” explicou o maestro.
Confira abaixo o programa da apresentação:
- Clarice Assad – Três pequenas variações sobre o tema “A maré encheu”
- Ernani Aguiar – “Quatro momentos nº 3”
- Carlos dos Santos – “Batuque de umbigada”
- Cibelle J. Donza – “Da terra”
- Edmundo Villani-Côrtes – “Os borulóides”
- Heitor Villa-Lobos – “Sinfonietta nº 1”
A apresentação da Orquestra Joseense na Sala São Paulo acontece no domingo (4), às 10h50. A entrada é gratuita e a reserva de ingressos acontece pelo site da Sala São Paulo (clique aqui)
Sobre a Orquestra Joseense
A Orquestra Joseense — que um dia já foi uma Orquestra Sinfônica — voltou aos palcos há três anos, depois de ser extinta em 2017 pelo então prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSD). O motivo? As contas da prefeitura estavam no vermelho.
O contrato de prestação de serviços, no valor de R$ 2,5 milhões, foi encerrado para que outras áreas da cidade tivessem prioridade nos investimentos.
Em 2021, por meio de edital da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, a Prefeitura criou uma nova orquestra, agora formada por um núcleo de artistas profissionais e aprendizes bolsistas.
Desde então, foram diversas apresentações do grupo, que têm conquistado o público em vários espaços públicos da cidade.
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