Uma pesquisa de doutorado está desenvolvendo uma gameterapia para pacientes neurológicos na Univap (Universidade do Vale do Paraíba), em São José dos Campos.
Dessa forma, os jogos deste projeto de gameterapia Univap geram efeitos positivos em suas recuperações e os ajudam a retomar suas autonomias.
Rascius Belfort, desenvolvedor da pesquisa, e voluntária em sessão de testes dos jogos que auxiliam na reabilitação de pacientes neurológicos (Foto: Divulgação)
O fisioterapeuta Rascius Belfort (34), é quem desenvolve o projeto, intitulado de “THERAPY AND GAME SYSTEM: Sistema embarcado para avaliação e reabilitação por meio de uma interface humana do usuário (IHU) com exergames”.
O estudo desta game terapia SJC tem participação da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) como agência de fomento.
Na opinião do pesquisador há ainda muito o que desenvolver. Mas, de forma preliminar, trata-se de uma alternativa de tratamento físico que explora o lúdico ao mesmo tempo que estimula aspectos físicos e cognitivos como tempo de reação, amplitude de movimento, equilíbrio de tronco (para cadeirantes), coordenação motora, atenção e memória de curto prazo.
Rascius possui um mestrado em engenharia biomédica e agora, fazendo doutorado no mesmo segmento, busca trazer novas contribuições às áreas que estudou durante a carreira acadêmica, além da neurociência e neuroreabilitação. A expectativa é de ele que receba o título oficial de doutor em novembro deste ano.
O estudo aliando a saúde aos games começou em 2019, quando saiu de sua cidade natal, Teresina, no Piauí, para vir ao interior paulista. Entretanto, o assunto não era novidade para o acadêmico. Desde quando cursava fisioterapia, já se interessava por pesquisar sobre o uso da tecnologia na reabilitação de pacientes e pela gameterapia benefícios sociais.
Gameterapia: testes em andamento
Passada a fase teórica, até este momento já foram desenvolvidos testes com cerca de 17 voluntários (com e sem lesões neurológicas), desafiados nos 6 jogos produzidos e registrados na pesquisa, um deles que faz referência à própria Univap com um cenário que retrata o campus da universidade.
Um dos jogos desenvolvidos na pesquisa é ambientado no campus da Universidade do Vale do Paraíba (Foto: Divulgação)
Atualmente é investigada a repercussão fisiológica por meio dos jogos a curto prazo. Ou seja: os voluntários jogam os games – em sessões que duram cerca de meia hora – e são avaliados antes e após esse tempo.
Na gameterapia, são analisados dados sobre a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio, tempo de reação, nível de atenção e pontuações dos jogos. Ao final, ainda há um questionário voltado para avaliar a aplicação e satisfação dos voluntários sobre o game para reabilitação.
Interessados em fazer parte das atividades – com ou sem lesões neurológicas – devem entrar em contato diretamente com o doutorando pelo Instagram (@drrasciusbelfort). No entanto, é importante lembrar que os voluntários devem ter entre 18 e 50 anos.
Gameterapia: como funciona
O projeto de game para reabilitação de pacientes neurológicos desenvolvido por Rascius tem base numa equipe de nove pessoas. Dentre elas, que estão outros fisioterapeutas, engenheiros elétricos e engenheiros da computação. O esqueleto completo dos testes inclui console de video game, monitor e tem até partes impressas em impressora 3D.
“Essa estrutura que a gente montou eu nunca vi no Brasil. É uma estrutura toda pensada e inédita. Até a estrutura do jogo é focada na necessidade dos pacientes”, afirmou o estudante.
Por exemplo, cada um dos jogos trabalha um tipo de estímulo específico e possui uma função na reabilitação dos pacientes. E o desempenho na recuperação está também ligado à sua estética.
O desenho dos games foi feito no estilo pixel art, tradicional nas décadas de 80 e 90 e marcantes em jogos como Super Mario Bros e Sonic. Esse visual é fundamental no propósito de Rascius em fazer com que os testes sejam simples e intuitivos, permitindo um melhor aproveitamento do tratamento pelos pacientes.
Gameterapia: resultados preliminares
Os resultados preliminares com os primeiros voluntários da pesquisa são animadores. De acordo com o doutorando, 53% dos participantes tiveram um aumento da agilidade (tempo de reação), 60% aumentaram o nível de atenção e 47% reduziram a pressão arterial.
Dentre as pessoas que participaram dos testes para a gameterapia, três possuíam lesão neurológica.
Rascius contou sobre as sessões com um destes voluntários, que passou por um AVE (Acidente Vascular Encefálico) recentemente. Ele disse que o desenvolvimento do paciente durante os testes foi impressionante, e que seu desenvolvimento e reflexo nos games superou os de outros voluntários até mesmo sem lesões neurológicas.
Como resultado, além de efeitos práticos na saúde dos participantes, o projeto vem rendendo bons momentos e o sentimento de que os jogos são importantes no desenvolvimento dos pacientes, isso tudo pela leveza que o tratamento carrega.
“A sensação é de que os pacientes estão se divertindo bastante. À medida que eles vão jogando os jogos, eles vão ganhando a capacidade de evoluir”.
Para o “pós-pesquisa”, Rascius projeta publicar mais informações sobre gameterapia artigos científicos abordando o tema de seu estudo, refinar o protótipo do game e desenvolver mais jogos para ajudar um número ainda maior de pacientes.
Sendo assim, a ideia de produzir consoles em larga escala e tornar o filho da pesquisa um produto à venda no mercado é mais distante.
“É muito gratificante a gente diante de todas as dificuldades, durante a pandemia, desenvolver um equipamento de baixo custo e de forma divertida que vai ajudar muitos pacientes”, finalizou o criador da gameterapia.
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