Comecei a limitar minhas idas ao cinema (mesmo aos superhipermegashows), depois que começaram a nos tratar como se estivéssemos na nossa cozinha. Se for para comer pipoca, prefiro que seja natural, sem exagero de manteiga; e troco o refrigerante por vinho tinto. E ainda posso fazer sessões comentadas com os netos.
Durante o hiato entre Natal e Ano Novo, pude ver alguns filmes e séries na TV e, pensando sobre a coluna de hoje, fiz uma ligação que quero compartilhar com você.
O valor das mulheres, nos diferentes setores, está sendo discutido cada vez mais, por mais pessoas e meios. Nem entro na história do feminismo e do movimento me too.

Barbie (2023), protagonizado por Margot Robbie, Ryan Gosling e America Ferrera, dirigido por Greta Gerwig (de Adoráveis Mulheres e Lady Bird), na HBOMax.

Maestro (2023), dirigido/estrelado por Bradley Cooper e Carey Mulligan, como Felicia Montealegra, atriz de teatro e televisão, a mulher de Leonardo Bernstein durante 32 anos. Na Netflix.
Em Barbie, é explícita a mensagem até mesmo para quem nunca brincou com bonecas (como eu). Um mundo que deveria ser libertador acaba sendo opressivo. E nada melhor do que dividir o mundo com as diferenças. A personagem de America Ferrera (Beth, a Feia) é quem tem o insight, que leva Barbie para o mundo real de oportunidades.
Sabemos que os meninos foram ao cinema vestindo rosa, e sim, eles podem vestir rosa, estender as roupas, cuidar dos filhos e não saber nada sobre cavalos (rss).
Em Maestro, a luz recai sobre Felícia e Cooper foi muito gentil em reconhecer (o nome da Carey vem antes do dele nos créditos). A história sobre amor e entrega. A história do que se ouve entre os silêncios. Ela sempre soube quem era Leonard (Bernstein), ouviu suas criações, interferiu diretamente sobre sua carreira, criou os filhos e recebeu os amantes. Em 1963, ela foi a primeira presidente da Divisão Feminina da União das Liberdades Civis de Nova Iorque. Seu ativismo político foi intenso e, em sua memória, Bernstein estabeleceu o Fundo Felicia Montealegre Bernstein da Anistia Internacional dos Estados Unidos.
São duas personagens, uma imaginária (nem por isso menos verdadeira) e uma real de carne osso (que também teve suas fantasias). Cada uma tentando viver de acordo com a cultura estabelecida à época. Nada muito diferente do que eu ou você (guardadas as proporções). Se continuamos a insistir no mesmo assunto é porque ainda precisamos.
Semana que vem, tem a Parte 2 com duas séries. Até!
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