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    Economia criativa em larga escala

    16 de setembro de 2023Updated:17 de setembro de 2023Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
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    Eu gosto de fazer relações históricas com fatos que envolvem meu trabalho.

    Por isso, a pesquisa é uma das prioridades no meu fazer artístico. Quando faço cenografia e figurino, por exemplo, vivencio desafios criativos constantes. Cada espetáculo é único com aquela diretora ou diretor – e é ela(e) quem determina a visão geral e coordena todos os envolvidos. Minha função é pesquisar e chegar num conceito estético que se aplique aos objetos e roupas naquele espaço cênico, evidenciando a visão proposta.

    A partir daí, vou investigar materiais e testar modelos para produzir e construir todas as peças.

    Cada espetáculo é uma nova experiência e sempre envolve outros profissionais especializados como marceneiros, serralheiros, costureiras, engenheiros, arquitetos, artesãos. Enfim, depende do projeto que será executado. Esse sistema de trabalho que conecta muitos profissionais na maioria autônomos envolve tecnologia, inovação, cultura, criatividade e sustentabilidade é chamado Economia Criativa.

    atores do the bichos no palco durante apresentação
    Espetáculo ‘The Bichos’ recentemente se apresentou no Sesi em São José dos Campos. Ele apresenta fábula teatral para crianças inspirada em clássicos dos Irmãos Grimm e sucessos dos Beatles. Grupo Teatro D’Aldeia, texto de Karine Miller e Direção de Eduardo Moreira (do Grupo Galpão) – (Foto: Divulgação)

    Estudo mostra que o PIB da economia da cultura e das indústrias criativas supera o da indústria automobilística no Brasil (dados do Observatório Itaú Cultural divulgados em abril deste ano).

    É um fato menos conhecido do que mereceria ser, mas temos na nossa cidade uma rede de economia criativa enorme, com artistas e produtores culturais atuando profissionalmente em larga escala. São inúmeros grupos de teatro e coletivos de artistas mantenedores de espaços independentes.

    Seus projetos são selecionados em instâncias de grande concorrência estadual e federal, o que qualifica suas propostas e produções – assim como as devidas prestações de contas. Mais um reconhecimento do profissionalismo dos artistas locais e da qualidade criativa envolvida, é o fato também pouco conhecido de que eles circulam seus trabalhos por outras cidades, estados e países.

    Esses artistas e produtores culturais promovem pesquisas de linguagens e fazem formação de público, duas importantes ações – além de se tornarem referências ao abrirem seus espaços para outras atividades como aulas, ensaios, apresentações de música, lançamento de livros, saraus, etc.

    É uma conquista árdua de décadas, em que o próprio fazer foi se organizando em sistemas possíveis de apoio e manutenção criando essa importante rede que temos hoje. As artes plásticas são menos presentes na cena cultural da cidade do que as artes cênicas. Temos poucas possibilidades expositivas, sendo a jovem Galeria Poente já uma grande e importante referência.

    Acredito que nosso ofício nos coloca em contato com experiências inovadoras através dos artistas que conhecemos e das pesquisas constantes que fazemos. Temos por prática investigar, trocar ideias e elaborar possibilidades de construir aqui onde moramos e trabalhamos uma cidade culturalmente mais conectada com os desafios do século XXI onde já assistimos mudanças constantes e desconcertantes nos âmbitos econômicos, social e ambiental. A criatividade é uma das mais  importantes habilidades a ser desenvolvida e as atividades artísticos culturais os meios mais inclusivos para esta conquista.

    Para além da produção artística sonhamos para nossa cidade realizações importantes e duradouras, que deem sustentação e impulso ao profissionalismo artístico e criativo. Sejam iniciativas públicas ou privadas.

    Esse sistema depende principalmente de uma politica cultural participativa e contínua e acredito que nossa rede de profissionais criativos pode contribuir imensamente  e deve ser incluída neste processo.

    Duas pautas urgentes também com menos visibilidade e debate do que mereceriam são: a aprovação do Plano Municipal de Cultura; e o uso dos galpões da Tecelagem Parahyba, que foram incorporados ao município e estão se deteriorando, abandonados.

    O Sistema Municipal de Cultura foi instituído em 2016 e o Plano Municipal de Cultura aprovado em 2015 não foi validado. São sistemas municipais decisivos para articular ações entre os sistemas estaduais e federais para maior diversidade e inclusão cultural com continuidade nos programas.

    Em 2016 o governo do estado de São Paulo passou para o município a administração do complexo da antiga Tecelagem Parahyba que inclui vários galpões, alguns restaurados e usados pelo poder público más a maioria aguardando um destino.

    Conhecemos algumas experiências de outras cidades que restauraram e ocuparam espaços fabris abandonados com projetos artísticos culturais. Acredito que temos na cidade uma rede criativa profissional e competente para contribuir com idéias e sistemas possíveis de uso desses galpões. Usar é fator de preservação.

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    Pitiu Bomfin

    Pitiu Bomfin

    Artista plástica, curadora e educadora. Formada em Desenho Industrial pela FAAP / SP com pós graduação em Artes Plásticas pela ECA/USP e estudos em Arquitetura.
    Realiza trabalhos de curadoria além de cenografias e figurinos para grupos de teatro.
    Sua pesquisa artística envolve a fotografia, a pintura e processos gráficos muitas vezes utilizando referencias icônicas da historia da arte.
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