Uma obra audiovisual produzida em São José dos Campos vai narrar a trajetória de negros que conseguiram deixar de servir aos patrões para alcançar lugares de maior relevância na pirâmide social. O minidocumentário Servir será lançado no dia de 3 fevereiro, às 20h, com transmissão pela internet.
Mais do que denunciar a desigualdade racial no Vale do Paraíba, antigo polo do café, que ainda mantém as antigas fazendas onde milhares trabalharam como escravos, a produção visa estimular uma reflexão.

Para isso, nas entrevistas, afrodescendentes e indígenas da região e de outros lugares contam suas trajetórias numa tentativa de responder a perguntas-chave como: Por que tantos negros e indígenas estão na posição de servir? Eles estão fadados a isso? O que aconteceu com os que conseguiram sair da margem e se integrar à sociedade?
No lançamento do filme, está prevista uma roda de conversa on-line com os convidados entrevistados.
Interessados em assistir ao documentário podem acesá-lo no canal do YouTube.
Produção
A produção é do casal Bruna Tau, videomaker e pedagoga, e Jorge Neri, produtor musical, ambos de São José dos Campos.
Beneficiado pelo Fundo Municipal de Cultura, da FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), minidocumentário Servir visa desconstruir argumentos a favor da meritocracia e da manutenção do privilégio branco, além de defender as várias camadas da dívida histórica do país com seus indígenas e afrodescendentes.

Sobre os produtores
O produtor Jorge Neri, de 39 anos, é de origem indígena e africana.
Ao crescer sendo o único preto em meio a brancos, enquanto a maioria dos seus amigos pretos acabaram trabalhando em profissões de servidão, Neri decidiu pôr em prática o antigo desejo de contar a história de pessoas como ele.
“Não há problema nenhum em trabalhar servindo outras pessoas. Mas o padrão sempre foi tão nítido que me perguntava: Será que sempre seremos a etnia da servidão? Precisamos entender, no nível pessoal, o que tem em comum na história dos pretos que romperam esse padrão. O jovem preto deve ter o direito de escolher o seu futuro”, destaca.
Segundo ele, o objetivo é que o documentário alcance crianças e jovens.
Movida pelo mesmo ideal do companheiro, Bruna Tau, de 37 anos, coescreveu o roteiro.
“Nestes 10 anos juntos, eu, mulher branca, privilegiada, hoje mãe de uma menina de nove anos, fruto deste relacionamento, pude, pouco a pouco, perceber as várias camadas de racismo arraigadas na sociedade. Como feminista caminhante ao lado deste homem preto-indígena, lancei-me na luta antirracista e de valorização e salvaguarda dos nossos povos originários”, destaca.
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Minidocumentário Servir
Lançamento: 03/02/2023
Horário: 20h30
Exibição: Canal do Youtube
Instagram do projeto: @ser_virfilme
Roda de conversa com convidados: 20h as 20h30
Direção: Jorge Neri
Roteiro e produção: Bruna Tau e Jorge Neri.
Projeto FMC, Minidocumentário “Servir” , Projeto nº 005, beneficiado pelo Fundo Municipal de Cultura.